Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 01/05/2021
“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”. A afirmação, atribuída ao escritor e romancista equatoriano, Juan Montalvo, se encaixa facilmente as dificuldades de implantação de uma prática de leitura, visto que é justamente o sentimento de indiferença que cristaliza essa problemática no corpo social brasileiro. Nesse sentido, torna-se evidente que esse panorama surge inquestionavelmente da elitização da educação e da falta de incentivo. Assim, não só o sucateamento das escolas e a necessidade de haver profissionais com habilidades nessa competência como também a falta de acesso aos livros contribuem para agravar essa situação.
Dessa forma, torna-se evidente como a falta de investimento nas escolas solidifica o grande desafio da leitura. Isso acontece porque o governo trata a educação com bem menos esmero do que seria necessário, deixando muitas vezes de investir em pontos importantes, como a contratação de mais profissionais e assim permitindo que algumas lacunas permaneçam constantemente abertas. Em vista disso, o estado sofre com a carência de professores com habilidades para ensinar essa competência, gerando uma deficiência educacional e aumentando o número de leitores analfabetos. Como pode-se provar pelo exame do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), onde mais de 50% dos estudantes brasileiros ficaram com desempenho abaixo do nível básico esperado em leitura.
Além disso, é cabível salientar que a leitura facilita o acesso à educação, trabalho e lazer, além dispor de vários benefícios como, gerar bons críticos, capacitar a acessibilidade aos direitos de cidadão e principalmente levar a informação a todos os indivíduos. Contudo, há ausência de bibliotecas e livrarias em diversas cidades e escolas do país, ou ainda que elas existam, o acesso por vezes é bastante elitizado. Fazendo assim com que cerca de 74% da população não leia ou até mesmo nunca tenha comprado um livro na vida. Outro ponto importante é a falta de incentivo por parte das famílias, que habitualmente também não pegam livros para ler e consequentemente não estimulam seus filhos a isso. Dessa maneira, a alcançabilidade literária não é muito grande o que também prejudica esse setor comercial, deixando-o ainda mais fragilizado em meio a pandemia e as crises econômicas.
Destarte, fica evidente a problemática da leitura no brasil. Tornando desse modo indubitável a importância do Governo Federal, mediante o Ministério da Educação, para neutralizar a desvalorização literária e tornar professores capacitados a dar aulas mais atraentes aos jovens, proporcionando assim a formação de mais leitores. Ainda seria interessante a criação de bibliotecas “abertas”, que possibilitam o acesso em horários mais flexíveis para a comunidade em geral. A fim de que, esse infortúnio de cunho social e educacional seja cada vez menos recorrente na sociedade brasileira.