Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 11/05/2021
Desde os primórdios da construção da nação brasileira, a presença da leitura em momentos particulares de sua história, como na difusão das ideias iluministas e emancipatórias vindas da Europa, mostrou-se consideravelmente positiva para o avanço social dos grupos desfavorecidos. Nesse ínterim, hodiernamente, os benefícios dessa prática para o desenvolvimento coletivo e pessoal também são inegáveis, sendo, entretanto, limitados pela falta de investimentos estatais e pela cultura de desprezo à leitura a qual boa parte da população possui.
Primeiramente, é indiscutível que a displicência governamental é uma das causas do problema em questão. Tal fato se opõe ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, segundo o qual a função primordial do Estado é garantir os direitos essenciais para cada cidadão, como o acesso facilitado aos livros e as bibliotecas encontradas no país, visando à ampliação do conhecimento coletivo. Nesse sentido, a elevada taxação aplicada aos livros e o baixo número de bibliotecas públicas geram obstáculos para a aquisição de obras construtivas para a formação de um cidadão crítico e ativo socialmente, fato que corrobora os diminutos índices de leitura no Brasil.
Outrossim, evidencia-se o fraco apreço à prática da leitura no território brasileiro. Isso se relaciona à ideia, elaborada pelo pensador Immanuel Kant, de que o homem é fruto da educação que lhe é transmitida, a qual direcionará o seu futuro. Nesse viés, a inexistência do costume de ler na figura dos pais de um determinado indivíduo é um dos fatores que inibem a sua busca por conhecimento, uma vez que essa ação não é incentivada no seio familiar e, portanto, torna-se desconhecida e desinteressante.
Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados à diminuição do imposto incidente nos livros comercializados nacionalmente e à construção de espaços públicos direcionados à leitura, por meio de isenções fiscais atribuídas aos livros em geral e da utilização de espaços urbanos inabitados e de obras públicas esquecidas para a revitalização e posterior transformação desses lugares em grandes bibliotecas abertas à população, para que o desenvolvimento intelectual seja ampliado e as condições econômicas, consequentemente, sejam elevadas. Além disso, a realização de campanhas de circulação ampla as quais exponham a importância do ato de ler para um cidadão é imprescindível para que pais e filhos criem esse hábito. Desse modo, a harmonia social será enrijecida.