Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/05/2021

A Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, desprezava a infância, uma vez que tal fase era, indubitavelmente, ameaçada por doenças e pela face da mortalidade. Com efeito, o exercício da leitura era restrito aos jovens elitizados. Análogo à sociedade brasílica, depreende-se a atuação de tal legado histórico, haja vista que o instrumento, que deveria ser democrático, conserva-se em lacuna na realidade de muitas crianças. É preciso analisar, pois, a negligência governamental e o exíguo estímulo familiar como propulsores do revés.

Diante desse cenário, é possível observar que a ausência de medidas governamentais possui íntima relação com o problema. Acerca disso, Thomas Hobbes, filósofo inglês, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. As autoridades, todavia, não vão ao encontro da ideia do pensador, uma vez que possuem papel inerte e não direcionam um olhar a ações que poderiam resolver o baixo índice de leitores, como a isenção de impostos sobre os livros. Tal inobservância, portanto, inviabiliza a dissolução dessa cognjuntura inaceitável.

Denuncia-se, outrossim, o agravamento do impasse por parte do exíguo estímulo familiar. Consoante Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, algumas instituições perderam sua função social, embora ainda mantenham sua essência. Nessa lógica, o incentivo doméstico e a construção de um costume literário de forma natural e efetiva, trazendo a vivência para a criança de forma lúdica, são cruciais não só para incentivar o contato infantil com os livros, mas também para a consolidação dos familiares diante dessa problemática. Sendo assim, ao passo que a família não cumpre sua obrigação, os desafios voltados à prática da leitura se mantém em vigor, fazendo jus ao pensamento de Bauman.

Em suma, observa-se a necessidade de atenuar as dificuldades que involvem o ato de ler. Logo, o governo, no papel do Ministério da Educação - orgão responsável pelas diretrizes educacionais do pais -, por meio do desenvolvimento de um Projeto Político Pedagógico (PPP) - importante para o acompanhamento das atividades escolares -, deve aperfeiçoar o programa governamental já existente “Conta pra Mim”, iniciativa voltada à valorização da literacia familiar, a fim de que o hábito da leitura se torne presente em todas as famílias brasileiras. Além disso, o Ministério da Economia - responsável pela execução de políticas fiscais -, mediante Reforma Tributária - simplifica a arrecadação de taxas e impostos -, deve isentar a tarifa sobre os livros, visando reduzir a desigualdade social e o baixo índice de leitores. Espera-se, com essas medidas, construir uma sociedade democratizada e com alto número de legentes, diferentemente da Grécia Antiga.