Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/05/2021

No início da civilização brasileira a posse de livros era algo escasso e restrito, em um primeiro momento possuía cunho religioso, era utilizado como ferramenta para doutrinar nativos e o uso era exclusivo do clero, posteriormente, com a chegada da família real portuguesa, as impressões textuais aumentaram, contudo ainda era um item pertencente majoritariamente a elite devido ao seu custo elevado. De modo análogo, é perceptível no contexto vigente a dificuldade de estabelecer a prática da leitura no país, o imbróglio ocorre seja pela falta de incentivo escolar desde a infância seja pelo conceito segregacionista associado a obtenção do livro.

Primeiramente, é necessário pontuar que a escola como agente influenciador de identidades poderia estimular a leitura de modo didático desde o processo de alfabetização, para a criança se adaptar ao livro como algo positivo, e não apenas no ensino médio, com as leituras clássicas, o que em alguns casos tornam o livro para o adolescente uma obrigação desinteressante, pois existe o predomínio da linguagem mais rebuscada nas obras clássicas. Além disso, vale salientar que os livros são fundamentais na formação do senso crítico de um indivíduo e auxiliam biologicamente na diminuição do risco de Alzheimer, visto que trabalha o hipocampo, região do cérebro com função de formação de memória.

Outrossim, é relevante reconhecer que desde o Brasil colônia os livros estão ligados diretamente a pessoas com elevadas condições financeiras, selecionando a quem é destinado o conhecimento. No entanto, é prescrito na Constituição federal o acesso a educação como um direito de todos. Em adição, exemplificando a desigualdade, na obra “ Diário de uma favelada” de Maria Carolina de Jesus, escritora brasileira, é narrado a dificuldade da periferia em obter acesso aos livros e a cultura, em virtude do preço estipulado para conseguir a aproximação com estes. Sendo assim, torna-se relevante a criação de medidas para a mudança de tal cenário.

Portanto, é importante que o Ministério da Educação divulgue uma campanha nas redes sociais, em parceria com as instituições de ensino que incentive a leitura regular desde o período da alfabetização, buscando a formação de indivíduos com o hábito da leitura. Como também, é preciso que o Ministério da Cidadania por meio do fomento de uma lei crie um programa em que pessoas baixa renda sejam beneficiadas pagando um valor mais acessível por livros nacionais, visando que o acesso ao conhecimento seja democratizado e corrigindo seu aspecto histórico elitista .