Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 20/05/2021
No filme “A menina que roubava livros”, a vida da personagem Liesel é fortemente transformada a partir do início de suas leituras. Fora da ficção, no Brasil moderno, a prática de ler não é apreciada. Essa realidade apresenta diversos problemas, principalmente no que se refere aos impostos de livros e à interferência de outros interesses.
Em primeira análise, deve-se destacar os impostos sobre os livros como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo. No entanto, nota-se, no Brasil, que a falta de leitura rompe com as defesas do filósofo iluminista, já que segundo a professora de psicologia da educação da faculdade UFRGS, o hábito da leitura não acarreta apenas benefícios como o aumento do vocabulário, mas também é uma ótima forma de bem-estar. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, haja taxação dos livros, em que a venda deles passaria a ser tributada em 12%, o que na realidade brasileira dificuldade muito a compra das obras.
Ademais, é fundamental apontar outro aspecto a ser enfrentado, o uso excessivo dos meios eletrônicos. No documentário “O dilema das redes” demonstra o quão prejudicial é normalizar as diversas horas nas redes sociais, pois mesmo que haja uma leitura passiva, não constata a utilização ativa da literatura, já que ocorre a exibição de imagens, vídeos, entre outros. Segundo a pesquisa Global Digital Overview, um ser humano fica online, em média, 6 horas e 43 minutos por dia, já a pesquisa UNINASSAU de 2018, o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano, há uma diferença enorme entre as duas pesquisas, logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses objetivos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal aprovar de taxar os livros, diminuir os preços dos mesmos, e que o Governo Municipal faça projetos de leituras, disponibilizando uma biblioteca para a cidade, em que uma pessoa iria preencher com dados pessoais e teria dia para devolutiva do livro, no qual a cultura e a leitura iriam chegar em casas com famílias em situações precárias. Assim, a partir dessas ações, os brasileiros poderão ter suas vidas transformadas pelos livros, como visto em “A menina que roubava livros”.