Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 01/06/2021

Embora o artigo 6° da constituição federal de 1988 assegure o direito à educação como inerente ao cidadão brasileiro, nota-se, no entanto, que o cumprimento dessa garantia não é efetivado na prática. Tal fato é evidênciado no desafio para a prática de leitura no país. Isso ocorre devido à ineficiência do estado associado a uma cultura de aceitação por parte da população. Nessa perspectiva, torna-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, é necessário destacar que a leitura, por ser uma ferramenta de democratização do conhecimento, auxília na formação do cidadão. Entretanto, a inadimplência do estado, seja pela falta de interesse dos órgãos públicos, seja pelo baixo investimento em educação, faz com que exista uma parcela da população exclusa do acesso à livros. Segundo dados do IBGE, mais de 50% da população não costuma ler no Brasil, o que evidência que a prática de leitura é um problema a ser solucionado.

Ademais, faz-se mister salientar que a cultura de aceitação das precaridades sociais por parte da população brasileira é fruto de uma educação tecnicista, a qual não estimula o senso crítico dos cidadãos. No clássico livro 1984 de George Orwell, Winston trabalha no contraditório ministério da verdade manipulando informações jornalísticas à fim de moldar o pensamento público a favor do estado. Fora da narrativa, sendo a arte uma reprodução da realidade, o acesso a prática de leitura é fundamental não só para alertar o cidadão sobre sua posição de marginalização sociocultural mas também para estimular o senso crítico.

Infere-se portanto que a prática de leitura de livros no Brasil ainda é deficitária. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, responsável pelo desenvolvimento educacional do país, em conjunto com os municípios brasileiros, criar um projeto de implementação de bibliotecas públicas, por meio de verbas governamentais, em todas as cidades do país á fim de garantir que o acesso à livros no território nacional seja democrático, facilitando, desse modo, a prática da leitura para a população poder acessar conhecimentos antes desconhecidos, furando assim, a bolha sociocultural na qual estavam inclusos e dessa forma, gozarem do seu direito constitucional previsto na constituição de 1988.