Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 31/05/2021

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, no Brasil, a educação, principalmente em relação à prática da leitura, se vê elitizada e concentrada apenas nos grandes centros. Desse modo, destacam-se dois aspectos fundamentais: a negligência governamental na construção de escolas em regiões afastadas dos grandes centros e a ausência de debate contra o preconceito linguístico.

Primeiramente, é indubitável a negligência governamental em relação à distribuição de escolas, tendo em vista que a maioria está localizada nos grandes centros. Segundo dados do portal G1, cerca de 70% das cidades brasileiras não possuem instituições de ensino, profissionais qualificados e materiais didáticos, o que explicita a propagação do analfabetismo penalizando grupos sociais muito pobres, na qual coexistem altas taxas de mortalidade infantil. Conquanto, evidencia-se a carência estrutural escolar e a falta de incentivo à expansão da educação básica para as regiões mais afastadas.

Outrossim, é notória dificuldade encontrada no acesso à essa forma de educação linguística, uma vez que, por ser ainda escassa nas periferias, tem a ausência de debate. Nesse cenário, convém elencar o livro “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire explica que a educação entendida como uma prática libertadora é indispensável para que alunos interpretem de maneira crítica suas realidades sociais. Sendo assim, fazem-se necessárias políticas que busquem soluções dos desafios para a democratização da leitura, de forma que a ótima expectativa apresentada por Paulo Freire seja valorizada no Brasil.

Em vista dos fatos supracitados, torna-se evidente os desafios para o crescimento do hábito de leitura no país, seja no aspecto estrutural, seja no social. Nesse prisma, cabe ao Governo Federal, em parceria público-privada, incentivar a construção de escolas por meio de um acordo de isenção fiscal progressiva relativa à distância da cidade em relação aos grandes centros urbanos, a fim de que a educação básica se expanda para todo o território brasileiro e possa chegar nas áreas mais remotas. Ademais, o Ministério da Educação deve promover amplo debate com a comunidade acadêmica acerca da importância da leitura no processo de alfabetização, independentemente da idade, gênero, religião e recursos econômicos, com a intenção de estimular conhecimento de estudantes para a formação intelectual em várias faixas etárias. Somente assim, agiremos de acordo com o São Tomás de Aquino e nos aproximamos da realidade de Freire.