Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/06/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos alienados e imediatistas que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange a questão do desafio para a prática da leitura no Brasil. Desse modo, tal problemática é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.
Primordialmente, é válido reconhecer que esse panorama supracitado pode limitar a própria cidadania dos indivíduos. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo John Locke, no qual se configura em uma violação do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis como o Art. 215 da Constituição Federal, que está fundamental pelo seguinte princípio: O Estado deve garantir o pleno exercício de direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional a todos. Outrossim, é licito destacar o aumento tributário sobre os livros, que acarretou uma queda de 29% nas livrarias do Brasil, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Por consequência, expõe a população de baixa renda a uma condição de maior vulnerabilidade e exclusão.
Nesse sentido, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Ademais, para que a problemática do desafio para a prática de leitura seja resolvida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Também, trazer a pauta esse tema e debatê-lo amplamente, aumentaria sua oportunidade de atuação nele. Visto que, é vultuoso frisar que a leitura é uma necessidade elementar é que não pode ser deixada de lado, pois, a leitura possibilita uma visão crítica do mundo além de trazer vastos conhecimentos.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse quadro. Portanto, faz necessário que o Ministério da Educação (órgão responsável pela formação educacional dos indivíduos) em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos (órgão responsável pela dignidade dos cidadãos) promova um espaço para debater sobre as dificuldades, na prática, da leitura. Tais eventos podem acontecer nas escolas no período extraclasse contando com a presença de pais ou responsáveis, visando mostrar a importância da leitura, de modo que, a população possa compreender os benefícios do processo de leitura, para que, a sociedade reivindique seus direitos garantidos por leis. A partir dessas ações, espera -se, que os desafios, na prática da leitura sejam eliminados.