Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/06/2021
Do imaginário da escritora britânica J.K. Rowling nasce, dentro da saga “Harry Potter”, a personagem Hermione Granger, uma grande admiradora dos livros. De maneira contrária à personagem, devido à desigualdade social, ao apego às tecnologias e à falta de incentivo, a sociedade brasileira tem perdido, ao longo dos tempos, o amor ao hábito da leitura. Esse cenário dificulta o desenvolvimento social, no que concerne ao acesso à informação e à cultura, o que torna cabível a análise de soluções para os desafios da prática da leitura, a fim de minimizá-los no Brasil.
Em primeiro plano, vale salientar que o processo de industrialização ocorrido no século XX possibilitou um forte êxodo rural para as grandes cidades, de modo a promover, infelizmente, uma ampla segregação social. Nesse contexto, passou a ser comum a grande disparidade econômica entre os cidadãos, de modo a permitir às classes altas condições para adquirir obras literárias e desenvolver o hábito de ler, em decadência dos grupos mais humildes nesse aspecto. Em consequência, segundo a 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, de 2019, é maior o número de leitores entre a população que possui ensino superior e renda familiar de mais de 10 salários mínimos. Esse impasse para a prática da leitura contribui para a maior dificuldade na garantia do acesso democrático à cultura e ao conhecimento e, concomitantemente, do desenvolvimento.
Outrossim, a aceleração do fluxo laboral, acarretada pela vasta necessidade de consumo, potencializada pela construção capitalista da sociedade brasileira é, também, fomentadora do problema pautado. Sob tal óptica, em conjunto ao forte e crescente apego tecnológico da população, ela torna-se mais um fator responsável para o abandono do hábito da leitura, haja vista as ocupações que os indivíduos priorizam. Nessa visão, uma vez ocupados com as atividades do trabalho ou com os vícios em tecnologias digitais, tais como as redes sociais, os cidadãos passam a negligenciar a prática da leitura e, de modo paralelo, a não incentivá-la em seus ambientes de convivência. Esse fato traz à tona a observação do poeta Carlos Drummond de Andrade, que versa: “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede.”
Destarte, é imprescindível a busca de soluções para os desafios da prática da leitura no Brasil, firmados nas disparidades socioeconômicas, no apego tecnológico e na falta de incentivo. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação promover, por intermédio das secretarias municipais de educação, a doação de livros para as famílias brasileiras, feita anualmente e organizada por profissionais como professores e bibliotecários. Quiçá, tais medidas aumentarão a igualdade na prática da leitura, de maneira a fomentar, assim como em Hermione, a paixão pelos livros, fontes ricas de conhecimento.