Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/06/2021

“A ignorância nunca resolve uma questão”. A afirmação atribuída ao ex-primeiro-ministro inglês Benjamin Disraeli pode ser facilmente aplicada à questão dos desafios para a prática da leitura no Brasil, já que a incapacidade das pessoas em analisar essa situação, de forma racional e crítica, solidifica a escassez de medidas para o seu desenvolvimento. Indubitavelmente, percebe-se que esse cenário é advindo da negligência estatal no que se refere a criação de políticas públicas que visem estimular essa prática. Com isso, não só a não abordagem dessa temática na rede escolar como também o elevado custo dos livros atuam agravando o quadro geral.

A princípio, vale destacar que ao não abordar na rede escolar a importância de se adquirir o hábito da leitura, o sistema de educação ineficiente age como um dos fatores que corroboram para a persistência desse impasse. Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Logo, às instituições de ensino deveriam exercer o seu papel de agentes educadoras trabalhando com seus alunos não só a ideia de ler um livro para realizar uma prova, mas sim para estimular a criatividade e se tornar uma prática de lazer.

Outrossim, convém enfatizar que a banalização do governo no que se refere aos altos custos dos livros contribui para segregar ainda mais as pessoas que têm acesso a esse tipo de recurso. “Um país se faz com homens e livros”. A frase de Monteiro Lobato, deixa explícita a ideia do autor de que esse via na literatura uma estratégia de superar a condição de atraso social que sentia ser o problema mais grave do Brasil. Desse modo, a situação exposta, configura um desrespeito social e que, portanto, deve ser modificada em toda o território nacional.

Por consequência, políticas públicas devem ser elaboradas para solucionar esse impasse. Sendo assim, compete ao MEC (Ministério da Educação) - órgão responsável por políticas educacionais - garantir que nas instituições escolares a prática da leitura seja estimulada não só para fins acadêmicos, mas também para descontração por intermédio da criação de rodas de leituras que possibilitem os alunos transitar por diferentes tipos de experiências literárias a fim de fazer com que os livros possam cumprir de maneira efetiva sua função social na vida das pessoas. Além disso, cabe ao Governo Federal – instância máxima de administração do país – rever as questões tarifárias existentes sobre os livros que são responsáveis pelo seu elevado valor com o objetivo de possibilitar que as pessoas tenham mais facilidade para comprar esse objeto e se tornarem leitores. Assim, deixar a ignorância de lado como proposto por Disraeli, fará com que a problemática exposta seja intermediada no Brasil.