Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 21/06/2021
Em “A Bela e a Fera”, filme lançado pela empresa Disney, é narrada a história de Bela, uma moça que decide morar em um castelo em troca da liberdade do pai. Na obra, a personagem tem uma grande paixão: ler livros. Fora da ficção, a prática da leitura é algo elitizado e incomum no Brasil. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave empecilho, em virtude do baixo investimento estatal e do incorreto estímulo à leitura.
É fulcral pontuar, inicialmente, que os aspectos governamentais fazem o problema perdurar. Diante disso, segundo a Fundação Getúlio Vargas, o nível de investimento no setor público do Brasil está em queda desde o final dos anos 1970, o qual obteve a taxa média de apenas 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2011 e 2020. Entretanto, para agir sobre as problemáticas coletivas, como a dificuldade em fazer a leitura ser uma prática na “nação verde e amarela”, é necessário investimento massivo, sobretudo para garantir verbas direcionadas à construção de bibliotecas gratuitas no país, visto o alto custo das obras literárias atuais. Nesse âmbito, vê-se a falta da democratização da leitura, à medida que o acesso à literatura para a população de baixa renda é limitado.
Outrossim, observa-se o incentivo inadequado como um dos agravantes do impasse. Isso se dá, hodiernamente, porque as escolas não estimulam a leitura aos estudantes da forma correta, a exemplo dos livros de difícil compreensão que são exigidos como dever de casa para a maioria dos alunos brasileiros -como “Senhora” e “Iracema”, por exemplo. Consequentemente, os jovens crescem acreditando que ler é algo chato e desnecessário, devido não saberem na prática a sua importância. Ante o exposto, o filósofo John Locke, no seu livro “Ensaio”, compara o ser humano com uma “folha em branco”, a qual será “preenchida” com conhecimento por meio dos sentidos e das experiências de cada sujeito. Analogamente, percebe-se a importância de despertar o desejo de ler desde a infância, visto que, segundo o autor, as informações ajudam a moldar o indivíduo.
Torna-se mister, portanto, medidas exequíveis para mitigar o entrave. Logo, cabe ao Governo Federal, instância máxima de poder, em parceria com os poderes municipais, construir bibliotecas públicas em todas as cidades brasileiras e, após edificadas, comprar livros para todas as faixas etárias. Desse modo, a ação será concretizada por meio dos royalties de petróleo do pré-sal, o qual será investido também em premiações -como livros da saga “Harry Potter”, por exemplo- escolhidas pelos leitores que conseguirem ler três ou mais livros com mais de cem páginas por mês, com o objetivo de tonar o hábito da leitura uma realidade no país. Assim, o corpo social irá sentir-se incentivado a adquirir a prática amada pela personagem Bela do filme “A Bela e a Fera”.