Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/09/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, elaborou a tese ‘‘Cidadãos de Papel’’, na qual o autor define o termo como um indivíduo que apesar de possuir direitos na legislação, não os vivência devido a desinformação ou à subtração destes na esfera governamental. De maneira análoga, essa definição pode ser empregada em diversos contextos brasileiros, como os desafios para a prática da leitura no Brasil, embora o direito à leitura seja assegurado pela Constituição Federal de 1988, norma maior em vigor. Diante disso, torna-se necessária a efetivação desse direito com a inclusão daqueles que não o acessam tanto por carência financeira, quanto por possuírem alguma deficiência.

De início, cabe analisar a instauração de um Estado negligente, o qual não difunde a prática da leitura na sociedade. A esse respeito, o pensador Thomas Hobbes, em seu livro ‘‘Leviatã’’, defende a obrigação do sistema político em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. Todavia, na atualidade, a máxima do autor vai de encontro ao cenário vigente, uma vez que o poder público não direciona um olhar a ações que poderiam resolver a limitação dos grupos mais vulneráveis - como a ampliação do Vale-Cultura, criado em 2017- haja vista que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Receita Federal, cerca de 71% da população não possuem recursos financeiros para a compra de livros.

Outrossim, ainda existem ‘‘Cidadãos de Papel’’ que não possuem o hábito de leitura por possuírem algum impedimento físico ou mental. Nesse cenário, a problemática recebeu uma nova intervenção com a recente determinação governamental que exige a criação de livros acessíveis para deficientes visuais e/ou auditivos e à autistas. Entretanto, com tal medida determinada, é imprescindível destacar que ela se encontra como uma solução morosa, a qual urge ser expandida. Desse modo, é nítido que são necessários subterfúgios pragmáticos que resultem na inclusão equitativa da sociedade no que tange a prática da leitura no país.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Logo, é interessante que o Ministério da Cultura aliado ao Ministério da Educação crie, por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados, um ‘’ Vale-Livro’’. Tal vale será disponibilizado aos que requisitarem e comprovarem renda igual ou inferior a dois salários mínimos e servirá para garantir ao usuário desconto na compra de até três livros por mês. Ademais, é válido a criação de campanhas publicitárias, através de jornais e revistas, sobre a conscientização acerca da inclusão de deficientes no mundo literário. Somente assim, tornar-se-á possível a execução do direito à leitura, bem como a sociedade não seja denominada como ‘’Cidadãos de Papel’’.