Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/07/2021
Em 1933, o governo nazista de A. Hitler ordenou a queima de livros para atenuar as críticas ao regime e depreciar o senso crítico da população. Atualmente, de forma contrária ao período sobredito, existe um grande incentivo para a leitura. Todavia, mesmo com a acessibilidade aos livros, o Brasil possui um seleto grupo de leitores, o que configura-se como um grave problema que deve ser revertido pelo Estado e pela sociedade civil. Para tanto, deve-se analisar os principais catalisadores dessa problemática: a má relação cultural entre o brasileiro e o livro, o número de analfabetos funcionais.
A princípio, é válido destacar que essa relação cultural defeituosa entre o cidadão e o livro fundamenta a persistência do entrave. Hodiernamente, a leitura tornou-se um processo extremamente dinâmico e acessível, devido à tecnologia, livrarias de sebo e bibliotecas públicas. Sob esse viés, torna-se evidente que o problema da falta de leitura no Brasil não é resultado estritamente da má acessibilidade, e sim da relação cultural entre o brasileiro e a literatura. De acordo com o Centro Nacional do Livro, 96% dos não leitores afirmaram que não leem por falta de interesse. Portanto, esse sentimento é resultado da associação dos livros a uma obrigação, obtenção de nota e avaliações, adquiridas na escola. Em decorrência, esse indivíduo não se tornará um leitor e esse sentimento perante aos livros tende a se perpetuar ao longo das gerações.
Por outro lado, é importante analisar, não só o desinteresse, mas também a alfabetização como perpetuadora do impasse. Nessa perspectiva, por definição, o alfabeto funcional decifra o código, mas possui dificuldade em interpretar o texto. Isto posto, segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional, em 2018, 30% da população possuía dificuldade na compreensão textual. Em virtude disso, a teoria das Instituições Zumbi, elaborada por Zygmunt Bauman, compara as diversas instâncias sociais ao personagem ficcional, ao passo que existem, mas não exercem seu papel na prática. Desse modo, o papel “zumbi” das instituições de ensino forma indivíduos que embora decifrem as letras, desgastam-se demasiadamente na interpretação, tornando a leitura um processo cansativo, e não prazeroso.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe ao MEC, em parceria com a Secretaria de Cultura, ampliar o programa vigente Conta pra Mim, que possui diversos livros infantis, disponíveis no formato de áudio, para estimular a literacia familiar e dinamizar o processo de alfabetização, reduzindo o número de analfabetos funcionais. Para tal, a Controladoria Geral da União deverá destinar verbas ao ministério para ampliar o acervo literário. Ademais, o MEC, deverá, por meio de palestras, estimular que as escolas trabalhem com livros que despertem o interesse individual de cada aluno. Destarte, o Brasil conquistará mais leitores.