Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/07/2021
O sociólogo Thomas H. Marshall define cidadania como um conjunto de direitos civis, sociais e políticos garantidos por uma constituição. A partir dessa perspectiva, a consolidação da educação dá acesso a esses direitos, tais como moradia, trabalho, alimentação, entre outros. Todavia, a prática da leitura - principal promotora da educação e, consequentemente, da cidadania - não é efetivada no Brasil, fato que configura um preocupante problema. Tal conjuntura é intensificada pelo não estimulo ao ato de ler tanto no ambiente familiar, quanto nas escolas. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.
Em primeira análise, cabe pontuar que o não incentivo familiar ao hábito de ler obstaculiza solucionar o problema. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, o “Capital cultural” é o que promove distinção social motivada por ativos intelectuais. Sob esse viés, famílias onde existe o estimulo sobre meios culturais, como a leitura, de forma recorrente, proporcionam às crianças o acúmulo desse capital cultural. Entretanto, esses estimulos estão ausêntes em diversas famílias brasileiras, principalmente as de baixo poder aquisitivo. Com efeito, as disparidades sociais são intensificadas, tendo em vista o não acesso a cidadania proporcionada pela prática de ler. Logo, urge discutir ações para minimizar essa situação
Posteriormente, é tácito elencar que a baixa qualidade da educação brasileira contribui para a permanência do problema. Conforme abordado pelo educador Paulo Freire em seu livro “Pedagogia da Autonomia”, a educação brasileira é conteudista e não fomenta habilidades do aluno ou o incentiva a explorar livros e trocar conhecimentos. Diante disso, observa-se a baixa qualidade da leitura nas escolas, fazendo com que o aluno não tenha interesse de ler. Em consequência disso, as pessoas saem da escola sendo incapazes de acessar informações, compreender acontecimentos e até mesmo de se posicionar politicamente. Desse modo, torna-se imprescindível a proposição de medidas capazes de atenuar o impasse.
Portanto, ao analisar a ausência de impulsos quanto a leitura, nota-se a influência desses no entrave social, o que exige um plano de ações eficientes para amenizar o problema. Posto isso, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as prefeituras municipais, por meio de investimentos governamentais, ampliar as redes de bibliotecas públicas - aumentando a quantidade de prédios (especialmente em locais periféricos), de livros disponíveis e o horário de funcionamento - afim de incentivar a prática de leitura por todo país. Ademais, compete ao MEC, investir na capacitação de professores leitores que incentivem o hábito da leitura para além de atividades avaliativas.