Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 26/07/2021
No livro “A menina que roubava livros”, é retratado a vida de uma garota que em meio a Segunda Guerra Mundial busca refúgio nos livros. Nesse sentido, a narrativa foca na Liesel, uma menina que após ser adotada passa a roubar livros e compartilha a leitura com seus vizinhos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no livro é contraditória ao mundo do século XXI, em razão do descaso governamental com o custo dos livros e a falta de incentivo da família, fazendo com que a problemática ganhe força, prejudicando o avanço da sociedade.
Primeiramente, é importante destacar que a inoperância estatal contribui para que a situação continue presente. De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal, a educação é direito de todos e dever do estado e da família. Contudo, percebe-se que na prática não funciona assim, pois o elevado custo dos livros hodernamente, não permite que todos tenham acesso a estes, principalmente, os indivíduos que não têm boas condições financeiras, tornando a leitura uma prática elitizada. Logo, com tal elitização as transformações que a leitura provoca, como a garantia de um futuro melhor, são mínimas nos locais mais carentes, que são os que mais precisam destas transformações.
Ademais, vale também ressaltar a falta de incentivo do hábito da leitura na infância por parte dos responsáveis. Segundo o escritor brasileiro Coelho Neto, “É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais”, com isso, nota-se a intrínseca relação da leitura com a influência da família. Além disso, com o avanço das tecnologias, aos poucos os livros vão sendo esquecidos, pois com a facilidade que os aparelhos eletrônicos proporcionam e a busca por rapidez, por exemplo, a procura por filmes no lugar dos livros, corroboram para o esquecimento da leitura.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população, urge que a SEDUC (Secretária de educação) - órgão responsável por proporcionar a educação básica no estado - reduza, por meio de verbas públicas direcionadas as editoras, os valores dos livros, tornando-os mais acessível a todos. Outrossim, é fundamental que a família oriente a leitura nas suas casas, proporcionando um futuro melhor para os jovens. Pois como dizia Paulo Freire: “A educação não transforma o mundo, a educação muda pessoas, pessoas transformam o mundo”, somente assim, será possível alcançar uma realidade diferente de Liesel.