Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 05/08/2021

Na obra literária “Você”, escrita por Caroline Kepnes, o personagem principal trabalha em uma livraria, e, periodicamente, compra livros para o filho de sua vizinha, como uma tentativa de distrair a criança dos problemas familiares e conflitos violentos entre a mãe e o padrasto. Todavia, fora da realidade ficcional, o âmbito hodierno brasileiro se mostra um ambiente hostil em relação ao incentivo à leitura, de modo que o indivíduo não reconhece a notória importância do hábito literário; caracterizado, majoritariamente, pelo desmazelo escolar, seguido da falta de incentivo parental. Isto posto, necessita-se de ações visando a evolução social.

Em primeiro plano, é visível a maneira em que a escola priva a ascensão do aluno no meio artístico - acima de tudo, em obras escritas. Uma vez que o escritor nacional é privado de proeminência desde o ensino fundamental, não recebendo devido incentivo; logo, imiscuindo tanto na valorização da literatura brasileira, quanto no intelecto do cidadão e em sua formação empática; dado que, segundo o site G1, 4,6 milhões brasileiros deixaram de ser leitores entre 2015 e 2019. Ademais, o sistema educacional não dá devido subsídio em relação ao preparo do estudante, de maneira que há a persistência de obrigatoriedade de obras clássicas no ensino médio, sendo que, para a compreensão de tais obras, é exigido constante contato com universos literários e vocabulário culto.

Consequentemente, sem o devido auxílio educacional, grande parte da população não tem acesso a esse tipo de conteúdo, causando a elitização da leitura; gerando, em decorrência, a carência de incentivo familiar, principalmente por parte de famílias com baixo poder de aquisição. Outrossim que o “Fato Social”, discorrido por Émile Durkheim, cita como hábitos e maneiras de agir determinam a forma como o ser humano se comporta na sociedade, o cotidiano desses indivíduos, predominantemente, não dependeu do hábito de leitura, mas sim de fontes manuais de renda. Logo, justificando a supressão de estímulo parental, em virtude da criação em um meio que prioriza o capital para pagar as contas da moradia à formação acadêmica.

Portanto, é dever do Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Cultura, implementar projetos que impelem o contato com a leitura desde o ensino fundamental, de modo que as obras condizam com a idade e vocabulário do cidadão. Assim, juntamente com o financiamento de editoras e escritores nacionais, o Brasil crescerá intelectualmente e culturalmente, e, posteriormente, poderá ser associado com o encorajamento citado na obra de Caroline Kepnes.