Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Na série televisiva “Anne With An E”, baseado na coleção de livros “Anne of Green Gables”, a protagonista Anne utiliza da leitura como um salvador por conta do bullying sofrido sobre esta, assim usando a literatura e a imaginação para escapar dessa realidade, e mais tarde também a auxilia ao conseguir uma vaga estudantil em uma faculdade. Em vista disso, a realidade brasileira infelizmente não se adequa à ficcional, pelo fato de que grande parte da população não possui hábitos de leitura e subestima ou ignora sua importância, aspectos potencializados por fatores como falta de incentivo e inoportunização econômica e social; dessa forma, sendo necessário a correção dessa problemática.

Em primeira análise, a carência de estímulo ocorre predominantemente nas instituições escolares, que, além de não incentivarem a leitura aos alunos adequadamente, focando apenas na leitura obrigatória de clássicos - trazendo uma experiência literária ruim aos jovens - também contribuem na estereotipagem do hábito literário como algo “nerd” de forma pejorativa, o que dá abertura ao bullying. Dessa maneira, observa-se tal situação em grande parte dos filmes escolares americanos populares, como “Quase 18”, “The Outcasts”, “Meninas Malvadas”, “DUFF”, entre vários outros. Outrossim, segundo dados midiáticos, cerca de 30% dos professores brasileiros se consideram não leitores, o que apenas agrava esse cenário tão preocupante, no qual é indispensável uma solução.

Ademais, um altíssimo agravante ocorre de maneira econômica, assim afetando diretamente os aspectos sociais da leitura no âmbito brasileiro, que é o aumento de preço dos livros atualmente, como se segue com o novo Projeto de Lei (PL) 3887/2020, que pretende aplicar impostos nos livros, assim elevando seu preço em 20%. Dessarte, com boa parte da sociedade sem condições e sequer foco literário, a elevação econômica destes apenas irão desmotivar os leitores, e até os que não leêm ou já não possuem condições para tal. Isso posto, no livro “Corte de Espinhos e Rosas”, a personagem Feyre é analfabeta aos 17/18 anos, pela falta de condição financeira da família, que tem como foco obter alimento pelo dia, e em consequência a afastando da ínfima possibilidade do contato com os livros; o âmbito hodierno não se afasta disso, apenas piorando com tal condição imposta pelo Estado.

Por conseguinte, medidas atenuantes são vitais nessa circunstância. Por meio de apoio e incentivo governamental nas escolas, com projetos literários tanto aos funcionários e corpo docente quanto aos alunos, bem como maior ajuda financeira nos livros, também intermediada pelo Estado - que é responsável pela educação dos cidadãos -, para alcançar a população mais pobre e que mais carece da literatura, para assim contribuir com uma sociedade mais engenhosa, com criatividade e senso crítico, através da experiência literária adequada.