Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 04/08/2021

No clássico estadunidense “Fahrenheit 451”, o protagonista Guy, um bombeiro cuja função é incendiar livros, desenvolve um interesse peculiar por manuscritos históricos em uma sociedade distópica na qual obras literárias fizeram-se crime, tornando-se inexistente o desejo populacional de adquiri-las. Paralelamente, o cenário hodierno não se faz longínquo dos limites ficcionais, uma vez que desafios para a prática da leitura ocorrem devido à negligência educacional e à influência midiática constante. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida, a fim de que a trama norte-americana não mais reflita o contexto atual da nação.

Indubitavelmente, o sistema brasileiro de ensino possui inúmeros empecilhos. À vista disso, o educando tende a anular a importância do conhecimento, atrofiando a capacidade do pensamento e o desenvolvimento intelectual, optando pelo consumo de um conteúdo massivo e de fácil compreensão. Nesse ideal, jovens leem apenas quando é estritamente necessário, contentando-se meramente com o que lhes é dito por seus tutores em sala de aula. Tal situação exemplifica-se no célebre trecho de “Fahrenheit 451”, no qual diz “As pessoas imaginam que estão pensando, tem uma sensação de movimento sem sair do lugar. Por isso, jamais as coloque em terreno movediço, como filosofia e sociologia, com que comparar suas experiências, pois aí reside a melancolia”.

Em segunda análise, os malefícios da influência midiática contínua são perceptíveis. Nessa ótica, Bill Gates, criador da rede tecnológica Microsoft, reconhece que “sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive a sua própria história”. Ironicamente, segundo dados promulgados pela Retratos da Leitura no Brasil, a internet e as mídias sociais são justamente o maior atenuante para a ausência de interpretação das obras ficcionais, sendo responsáveis por 66% da população que, em 2019, alegaram preferência pela utilização desses meios à leitura.

Infere-se, portanto, que a prática da descodificação das obras é um desafio nacional. Para tanto, as instituições escolares são responsáveis pela emancipação de seus alunos, com o intuito de torná-los críticos e portadores de independência. Assim, utilizando-se da abordagem literária, desde o ensino fundamental e adaptada à faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores acerca das primícias clássicas, o contato com os livros será garantido à criança desde a infância. Além disso, por meio de palestras, fornecidas pelo Ministério da Educação, com profissionais das áreas da computação que expliquem como os alunos poderão ampliar seu meio de informações e demonstrarem disciplina com as mídias, haverá a atenuação desse impasse.