Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 05/08/2021

O filme “A menina que roubava livros” mostra a vida de uma jovem garota, durante a Segunda Guerra Mundial, que aprender a ler com o pai adotivo e acaba desenvolvendo o hábito de “roubar” livros para ler para o amigo judeu que mora clandestinamente em sua casa. Em contrapartida, hodiernamente, as pessoas estão perdendo cada vez mais o interesse pela leitura. Isso ocorre tanto pela distribuição desigual de renda quanto pelo avanço da tecnologia.

De início, urge ressaltar que, na antiguidade, ler era restrito aos nobres e intelectuais, uma vez que muitas pessoas não eram consideradas adequadas para obter o conhecimento. De forma análoga à isso, a Receita Federal afirma que pessoas mais pobres não leem livros e defende aumentar a tributação. Diante disso, conforme o poeta Carlos Drummond de Andrade “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente está sede”, isto é, apesar da leitura ter a capacidade de mudar a vida de alguém, grande parte da população não tem condições para ter acesso a isso e os superiores enxergam essa questão como desinteresse das pessoas com baixa renda.

Ademais, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil o país perdeu 4,6 milhões de leitores em quatro anos, e, de acordo com a coordenadora da pesquisa, a internet e as redes sociais são algumas das razões para essa queda. Nessa perspectiva, o escritor e inventor Buckminster Fuller afirmou que “A humanidade está adquirindo toda a tecnologia certa por todas as razões erradas”, assim, muitos utilizam o seu tempo livre nas redes sociais e começam a ter a visão de que livros são tediosos e cansativos.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham diminuir os desafios para a prática de leitura no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério da Educação, incentivar crianças e adolescentes, a partir de projetos literários e visitas gratuitas à bibliotecas com a escola, a fim de que desde cedo os jovens se interessem pela leitura e percebam que não precisa ser algo maçante. Somente assim, é possível que os índices dessa prática aumentem e que os livros sejam acessíveis a todos, para que não seja preciso roubar como no filme “A menina que roubava livros”.