Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/08/2021

Segundo uma pesquisa feita pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro, cerca de 70% dos brasileiros não leram nenhum livro no ano de 2014. Nesse contexto, nota-se que grande parte da população brasileira não possui o hábito de leitura bem desenvolvido. Diante dessa perspectiva, torna-se fundamental discutir acerca dos inúmeros desafios para a prática de leitura no Brasil, sendo os principais, a grande taxa de analfabetismo e a falta de acesso a materiais de leitura por um preço acessível a maioria.

Em primeira análise, a alfabetização escassa da maioria populacional é uma das causas da realidade supracitada. De acordo com o levantamento divulgado pela Unesco, o Brasil possui a oitava maior população de adultos analfabetos. São cerca de 14 milhões de pessoas. Dessa forma, o sistema educacional vigente, em conjunto do Poder Público, falham em garantir o direito à educação outorgado aos cidadãos. Por conseguinte, indivíduos sem acesso ao letramento, não desenvolvem o uso competente da leitura e da escrita nas práticas sociais, sendo impedidos de consumir livros e praticar um hábito base para seu pleno desenvolvimento sociocultural.

Ademais, o exorbitante valor de livros ilustra um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Essa realidade, segundo o filósofo John Locke, ilustra uma violação do contrato social, no qual o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem dos direitos indispensáveis. Nesse cenário, com preços altos, a busca para criar um hábito de leitura no Brasil é prejudicada, assim expondo a ineficácia governamental no que concerne assegurar o direito de igualdade, incluindo do acesso a livros e prática de leitura, visto que o mesmo não planeja qualquer ação quanto a problemática explicitada anteriormente.

Diante o exposto, visando minimizar drasticamente os desafios que levam a alta taxa de indivíduos não-leitores no território brasileiro, cabe ao Estado, por intermédio do Ministério da Educação, visto que, é o órgão público responsável por toda instituição educacional brasileira, fornecer programas sociais gratuitos de alfabetização e letramento para todas as idades, promovendo um direito constitucional garantido e simultaneamente incentivando o hábito de leitura. Ainda sim, para combater o valor desigual de livros, cabe ao Poder Público, por meio de incentivo monetário, a abertura de bibliotecas públicas, em locais periféricos, nas quais os livros podem ser retirados sem qualquer custo. Nessa lógica, o quadro angustiante no que diz respeito à prática de leitura no Brasil, poderá ser revertido.