Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/08/2021

“O jovem de hoje não lê, o jovem de hoje não sabe o que é o verdadeiro entretenimento, o jovem de hoje não lê literatura de verdade.” Essas são alegações muito ditas pelos mais velhos e até pelas escolas. E é uma verdade, o jovem de hoje lê menos, a porcentagem de leitores no Brasil caiu para 52% em 2019. Porém, talvez a culpa destes dados não possa ser jogada toda apenas no colo da tecnologia e da folga do jovem moderno. Mas dividida com a dita “literatura de verdade” que é oferecida nas escolas, livros velhos de escrita difícil e temas que hoje já não representam nosso pensamento. E também dividida novamente, dessa vez, com os altos preços dos livros, coisa que dificulta e muito o acesso.

No colégio, os livros que são passados para as crianças lerem como forma de mostrar a elas a literatura são sempre antiquados. Livros maçantes com temas já irrelevantes, com palavras diversas que morreram a tanto tempo que ninguém mais se lembrava que um dia existiram ou seu significado. A escolha de livros do tipo até que fazem algum sentido, é difícil encontrar livros nacionais para apresentar aos estudantes, ainda mais atuais. Já que é muito difícil ser um escritor hoje em dia no Brasil, por livro o escritor ganha em média 10% do valor, isso se não menos. Porém, isso desestimula as pessoas a lerem, por ser complicado de entender e chato, ler com isso, se torna um árduo trabalho. Ainda mais para quem acabou de ser apresentado à leitura.

Isto, além do custo ridículo de ser um leitor assíduo no Brasil. A média de preços que podemos observar nos livros novos é de cinquenta reais cada, isso sem considerar o possível e também elevado preço de frete. Se comparando os preços com o salário mínimo de 1,1 mil vê-se que grande parte da população, não pode sustentar esse hobbie, ao menos não sem deixar algo essencial de fora da lista de contas. Sendo assim excluídas de algo tão importante para o desenvolvimento e aprendizado.

Logo, para superar todos esses obstáculos e retomar o hábito de leitura para a cultura do brasileiro são precisas algumas sérias mudanças. As escolas devem tomar mais cuidado nas escolhas de livros que irão apresentar, às vezes permitindo alguns livros estrangeiros e escolhendo coisas mais atuais, com temas mais interessantes e escrita mais fácil, para não desestimular os mais novos leitores. Desse modo não deixando a imagem ruim sobre livros que muitos têm, facilitando que desenvolvam interesse sobre a leitura. Como também, as editoras deveriam oferecer melhores acordos aos escritores de modo a estimulá-los a escrever mais e também diminuir um pouco as enormes taxas que adicionam em cima da obra, talvez até mesmo negociando para diminuir os impostos por sobre os livros, assim tornando os preços mais acessíveis a todos.