Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 17/08/2021

A Constituição Cidadã - promulgada em 1988 - afirma que a educação, dever do Estado e da família, será incentivada e promovida, visando o pleno desenvolvimento do indivíduo. Essa visão, no entanto, não é plenamente efetivada, posto que a leitura - prática de suma importância para o desenvolvimento de habilidades críticas e interpretativas - representa um desafio em território nacional. Isso ocorre, sobretudo, devida à influência familiar acerca da leitura e à falha na educação. Desse modo, é evidente a premência de sanar a problemática envolvida.

Diante desse cenário, é fulcral reconhecer que a influência da família é uma das causas da existência desses obstáculos. A respeito disso, é válido rememorar a ideial ligada ao sociólogo Talcott Parsons, a qual relaciona a atuação do indivíduo na sociedade à formação inicial proporcionada pelos familiares. A par desse raciocínio, é transparente que - por estar constantemente em contato com um meio familiar ao qual inexiste a figura exemplar de parentes que leem e incentivam à prática de leitura - os indivíduos se sentem desestimulados a adquirir tal hábito por si só, o que dificulta a situação. Assim, partindo da perspectiva parsoniana, é preciso responsabilizar a família pela problema.

Ademais, sabe-se que a falha no sistema educacional é outra motivação para a perpetuação desses desafios no Brasil. Nesse viés, é mister ressaltar o pensamento do filósofo Immanuel Kant quanto à educação, pois ele acredita que o homem é um produto desta. Nesse sentido, é possível constatar que, devido a escassez de incentivo à leituras que estimulem a imaginação e a predominância de livros didáticos obrigatórios, os indivíduos constroem a mentalidade de que ler é algo tedioso, o que impacta a iniciativa de tal prática. Logo, para que o homem melhore nessa questão, é preciso repensar a educação que o forma.

Urge, portanto, que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Para isso, o Ministério da Cidadania deve criar a “Semana da família”, por meio de um evento com palestras de assistentes sociais, a fim de divulgar a importância da atuação da família no incentivo à prática de leitura no Brasil. Tal ação pode, ainda, ser transmitida nas mídias de massa para chegar a mais casas brasileiras. Paralelamente, é preciso intervir sobre a lacuna educacional presente na questão. Dessa forma, os direitos constitucionais poderão ser garantidos.