Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 27/08/2021
Consoante ao escritor George R. R. Martin em sua crônica Game of Thrones, aquele que não lê vive apenas uma vida, enquanto o que possui esse hábito vive mais de mil. Nesse sentido, percebe-se a importância da prática da leitura, seja por lazer, seja por conhecimento. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que esse costume possui, no Brasil, desafios com raízes históricas perpetuadas pela inoperância estatal.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar as origens da questão sociocultural no espectro brasileiro. De certo, para o filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa ação indiferente e a realidade, haja vista que desde os tempos de colônia brasileira a prática da leitura é considerada elitizada, o que gerou frutos, na atualidade, como o pensamento de que a literacia é algo dispensável para as camadas sociais mais baixas. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, pois, enquanto a sociedade for inerte, esse pensamento arcaico será normalizado e a cultura da falta da prática de leitura continuará a existir.
Além dessa mácula social, também são preocupantes as consequências da indiligência governamental. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, porque largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Educação se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que promovam a literacia desde a infância em famílias sem condições financeiras. Isso é perceptível, lamentavelmente, pelo programa do governo “Conta pra Mim”, que embora vise promover a leitura familiar desde a tenra idade, se restringe apenas ao ambiente segregacionista virtual. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal perpetua o cerceiamento dos segregados socioeconomicamente a uma realidade distante dos livros.
Dessarte, fica claro que esse legado histórico se perpetua devido à inoperância estatal. Assim, o Ministério da Educação deve fazer campanhas de conscientização sobre os benefícios da prática de leitura desde a infância, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes socias e programas de televisão em redes nacionais — para se alcançar até os segregados virtualmente —, a fim de fazer com que o corpo social mude o pensamento arcaico sobre a leitura. Outrossim, esse instituto deve fornecer livros físicos para promover a literacia familiar entre as camadas mais pobres. Espera-se, com isso, que a importância dessa prática, como já promulgava Martin, se concretize.