Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 01/09/2021
No ano de 2021, com o agravamento do isolamento social no Brasil, o aplicativo TikTok se popularizou como rede social no país e, com ele, uma de suas famosas “divisões”: o BookTok. Permeado por amantes da literatura, a seção tem por objetivo incentivar a leitura entre seus consumidores a partir da indicação de livros, relatos de experiências pessoais obtidas a partir da leitura deste, partilha e construção de opiniões sobre as histórias, etc. Distante da representação midiática perfeita, muitos indivíduos do corpo nacional se encontram afastados do hábito de leitura, seja por vontade própria ou por falta de acesso a meios que os propiciem isso. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a elitização e o imediatismo.
Dessa forma, em primeira análise, a desigualdade é um desafio presente no problema. De acordo com o dicionário Aurélio, o termo “isonomia” refere-se à garantia de oportunidades iguais, mesmo em condições diferentes. Entretanto, a realidade brasileira é pouco isonômica quanto à prática de leitura, já que as possibilidades de acesso às obras literárias são limitadas, considerando os elevados preços de compra de livros e de meios para acessá-los - como celulares e computadores - que, atualmente, não cabem no orçamento limitado de parte da população, tornando sua compra uma espécie de luxo exclusivo. Assim, nota-se a urgência de proporcionar iguais oportunidades a esse grupo.
Em paralelo, o consumo instantâneo é um entrave no que tange à questão. De acordo com Zygmunt Bauman, “as redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”. Tal artimanha é visível em relação aos desafios para a prática de leitura no Brasil, visto que, diante de uma era globalizada e imediatista, grandes pausas relacionadas a ações que exigem extremo foco se tornaram quase inexistentes, dada a constante pressa em consumir e transmitir informações, geralmente incompletas e em excesso, somente pela saciedade em afirmar que as possui, entretanto, distante do aprofundamento e da real compreensão. Ou seja, é necessário reconhecer e conhecer a armadilha para se desatrelar dela. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.
Para isso, o Ministério da Educação deve investir em bibliotecas públicas, construindo novas e renovando as já existentes, por meio da destinação de verbas, a fim de reverter a elitização de acesso que impera e contribuir para a isonomia literária no Brasil. Tal ação pode, ainda, contar com o apoio de propagandas midiáticas que incentivem a doação de livros a estes novos locais de leitura. Paralelamente, é preciso intervir sobre o imediatismo presente no problema. Consequentemente, mais amantes da literatura como os presentes no BookTok terão acesso ao consumo literário e à partilha de experiências com outros leitores.