Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o direito à equidade constitucional. No entanto, o desdém governamental e a disparidade socioeconômica, no Brasil, impedem que os brasileiros usufruam das prerrogativas supracitadas. Nesse sentido, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes para difundir as diretrizes da Constituição e promover a prática da leitura no Brasil.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a deficiência de incentivos governamentais no que concerne à criação de programas de apoio à leitura, rompe essa harmonia. À vista disso, embora esteja na Constituição o princípio da isonomia, no qual deve ser assegurado a igualdade e a integração dos indivíduos, o governo ainda negligencia a aquisição dos direitos básicos (saúde etc.), bem como a execução de projetos que colaborem na construção do hábito da leitura nas escolas e na comunidade.

Ademais, destaca-se a disparidade socioeconômica como fator impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e de pensar dotada de um viés coercitivo, generalista e exterior. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que o cenário de um país marcado pela extrema desigualdade social se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que essa condição é mantida ao longo do tempo, a taxação no valor dos livros é aumentada e, dessarte, a oportunidade de acesso a eles é distanciada das pessoas em vulnerabilidade. Em virtude disso, há o reflexo na esfera social, ao passo que depaupera o progresso do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, número dez, que se refere ao compromisso em reduzir as desigualdades e, assim, os índices de analfabetismo funcional será deflagrado, ou seja, comprometerá o exercício da cidadania para esse grupo social.

Diante disso, portanto, percebe-se que ainda existem entraves para instigar a prática da leitura no Brasil. Dessa forma, faz-se necessário que a ONU, em parceria com o governo, crie, por via de processo seletivo, uma comissão com profissionais capacitados (advogados etc.), com o propósito de buscar, diante dos governantes, a construção de instituições eficazes que promovam a elaboração de programas de apoio à leitura nas escolas, a fim de  conceber um hábito nos alunos.  Outrossim, a ONU deve, por intermédio de verbas públicas, investir em projetos de debate sobre a desigualdade no acesso a livros, com o objetivo de aumentar o enjamento público e privado na conscientização acerca da relevância em doar esse material e, com isso, garantir equidade e ascensão social para os cidadãos.