Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/09/2021

O Mito da Caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos desafios para a prática da leitura. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: os altos valores cobrados pelos exemplares e a negligência familiar. Em primeiro plano, é preciso atentar para os altos impostos cobrados aos comerciantes, o que torna os livros mais caros.

De acordo com Jean-Jacques Rousseau, o estado responsabiliza-se por estabelecer condições básicas ao promover o bem-estar social. Contudo, a ideia do intelectual não se concretiza na realidade da nossa sociedade, visto que o Governo cobra valores altos de impostos, a exemplo da reforma tributária de 2020, em que o Ministério da Economia aumentou o valor de tributos cobrados aos livreiros, tornando o valor mais caro para o consumidor final, o que consiste em mais um desafio para formar novos leitores brasileiros.

Além disso, outra dificuldade encontrada é a formação familiar. Segundo o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina de produzir personalidades humanas. Por essa ótica, a falta da leitura no cotidiano dos brasileiros tem como uma das causas a negligência da literacia familiar, muitas vezes por descaso dos pais, o que corrobora para formar jovens e adultos não leitores. Sendo assim, enquanto os pais negligenciam o desenvolvimento da leitura em família, o problema permanecerá e será passado de geração em geração, o que torna sua resolução mais difícil. Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas para amenizar a problemática.

Para tanto, o Ministério da Economia deve agir diminuindo a taxa de tributos taxados ao setor livreiro, com o intuito de reduzir o valor cobrado ao consumidor. Ademais, a família, fundamental na formação ética, educacional e emocional dos indivíduos, deve desenvolver a literacia familiar, através de rodas de leitura com os filhos. Somente assim, a sociedade estará liberta para contemplar a realidade fora da caverna, como na alegoria de Platão.