Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/09/2021
Na obra “Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e de problemas, ou seja, ausente de entraves sociais e ideológicos. Fora da ficção, vê-se que a realidade brasileira diverge substancialmente do exposto no livro, levando em consideração a existência de desafios, como a baixa adesão social na prática da leitura. Esse cenário antagônico é fomentado pela negligência das instituições familiares e do poder governamental, o que impulsionou a formação de cidadãos que detém um conhecimento superficial da realidade.
Convém ressaltar, diante dessa realidade, a ausência de políticas políticas públicas afirmativas no que tange ao estímulo da leitura, principalmente, ao público jovem, que constrasta com o precoce acesso às tecnologias fornecidas pelas famílias. Nesse sentido, ganha notoriedade a obra “Modernidade Líquida”, de Bauman, o qual descreve as relações sociais como líquidas em virtude da baixa duração e da ausência de laços verdadeiros, mas também acerca da busca por recompensas rápidas, correspondidas facilmente nas redes. Na esteira dessa ideia, nota-se que o interesse pelos livros é escasso na contemporaniedade insuflado pelo excesso de informações bombardeadas aos indivíduos, contudo, o preparo psicológico e sobretudo intelectual seria acessado plenamente caso houvesse estímulo à cultura, colocado em segundo plano pelas intituições públicas. Dessa forma, a prática da leitura fica restrita as classes dominantes, impossibilitando a criação de um corpo social engajado culturalmente.
Além disso, a negligência das instituições supracitadas e a consequente baixa adesão à leitura, acentuou a formação de cidadãos alienados virtualmente. De acordo com o “Efeito Dunning Kruger”, a sociedade moderna é composta por cidadãos inconscientes do reduzido conhecimento que possuem, entretanto, acreditam serem cidadãos engajados intelectualmente. Em vista disso, criou-se indivíduos que não possuem o conhecimento profundo acerca dos fatos, visto que as ideias e posicionamentos compartilhados virtualmente são rasos e superficiais, pois não estimulam o senso crítico e a formação de opinião própria, como ocorre no ato da leitura. Logo, a baixa prática da leitura fomenta a alienação.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas visando a transformação do atual quadro no conhecimento literário brasileiro. A priori, compete ao Ministério da Educação- cuja função é democratizar o acesso ao ensino-, a criação de bibliotecas campartilhadas em escolas, praças e shoppings, sendo dever populacional a contribuição com o projeto por meio da doação de livros usados, com o intuito de possbibilitar a democratização do acesso aos livos e sem custos, o que impulsiona a adoção da leitura. Com essas ações, será possível a formação de uma futura sociedade que detenha o verdadeiro conhecimento por meio de buscas e esforço individual.