Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 28/09/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6º, o direito á educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática ao se analisar a defasagem da prática da leitura no Brasil, que tem fundamento no pensamento capitalista. Desse modo, não só a falibilidade estatal, como também o silenciamento social geram ainda mais empecilhos para que os brasileiros tenham acesso aos livros, o que torna imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em primeira análise, é fundamental apontar a falha por parte do Estado, no que diz respeito a garantia de direitos constitucionais, como promotora da problemática. Nesse sentido, é importante que o Estado elabore estratégias para que a leitura possa chegar aos necessitados, o que fará com que esses indivíduos desfrutem de uma educação de qualidade. Dessa forma, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, o Estado estará cumprindo seu papel no “contrato social”. Contudo, a realidade destoa disso, haja vista que pessoas, principalmente moradores de interiores ainda não possuem acesso á livros de conteúdos diversos, e não só educativos.
Ademais, é importante ressaltar a falta de debate sobre as práticas de leitura no Brasil como impulsionador dos desafios para execução de tal. Seguindo essa ótica, Frida Kahlo, importante pintora mexicana, ao pintar seu autorretrato de diversas formas e estilos, mostrou a importância de se debater de diferentes perspectivas e constantemente determinados assuntos, para que suas causas e consequências possam ser evidenciadas. Todavia, o que ocorre na sociedade brasileira é o contrário do exposto pela pintora, pois os brasileiros lidam com indiferença em relação à perpetuação da leitura, não há o constante debate necessário em prol de estratégias para levar a leitura para todos. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Poder Executivo, crie programas de incentivo á leitura, também é importante que haja o direcionamento de capital na compra de barcos que levem livros para comunidades ribeirinhas, a fim de atenuar ainda mais a taxa de analfabetos do país e democratizar o acesso aos livros. Além disso, é importante que os empresários brasileiros, por meio da mídia, elaborem propagandas nas redes sociais e televisionadas, mostrando a importância da leitura para a sociedade, para que os cidadãos possam ter noção da situação e colaborar no processo de erradicação das dificuldades da prática da leitura. Assim, se tornará possível a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e que goza dos elementos elencados na Magna Carta.