Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 25/09/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 205, o dever do Estado e da família fomentar a educação dos infantos. Entretanto, tal prerrogativa não tem se concretizado na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel” - quando se observa a dificuldade na prática de leitura das crianças brasileiras, colaborando para a construção de adultos seminalfabetos. Dessa forma, por causa da negligência do Estado, bem como a desigualdade social, essa consequência é agravada. Assim, é fulcral a análise desses fatores.

Sob esse viés, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Nesse sentido, a escassez de projetos estatais que visem garantir um ensino educacional de qualidade com práticas de leitura  contribui para a precarização dessa área, consequentemente, fazendo com que muitos jovens abandonem as escolas. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o governo não cumpre sua função de garantir os direitos sociais da população.  Um exemplo disso são os 4 milhões de jovens que desistiram de estudar no ano de 2020, segundo pesquisa do DataFolha. Dessa maneira, com a inexistência do estímulo social, as crianças perdem o hábito de ler livros.

Nota-se,outrossim, que a desigualdade social, no que tange ao acesso de educação de qualidade, é uma grande impulsionadora desse impasse. Nesse contexto, devido à falta de condições financeiras e também da prioridade em trabalhar no sustento familiar, há a relativização da importância do estudo como formador do cidadão e trabalhador brasileiro. Nesse horizonte, segundo o filósofo Gilberto Freyre, em sua obra “Casa Grande e Senzala”, “Durante o processo colonial brasileiro, a miscigenação era vista como repulsa e o ensino era elitizado”. Desse modo, em virtude da exclusão social com os negros e pardos, que já existia desde o passado, há uma grande dificuldade da população mais humilde em apresentar hábitos de leituras no cotidiano.

Portanto, percebem-se os entraves que contribuem para a dificuldade da prática de leitura entre os infantos brasileiros. Destarte, é dever do Ministerio da Educação (MEC) aumentar os investimentos na área educacional, por meio de reformas e construções de bibliotecas nas universidades e escolas, principalmente, nos bairros mais humildes, no intuito de fomentar o hábito de leitura. Ademais, é mister ao Ministério da Cidadania criar projetos sociais educativos, mediante disponibilização de livros e acervos culturais aos infantos de escola pública. Desse maneira, será possível edificar uma sociedade permeada pela efetivação dos princípios da Carta Magna.