Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 28/09/2021
‘‘Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, eles serão incapazes de escrever – inclusive sua própria história.’’ Declarou Bill Gates, cofundador da Microsoft, destacando a importância da leitura. No Brasil, contudo, encontra-se uma dificuldade de entendimento sobre esse ato, levado pela má gestão dos governantes, o que causa uma sequela sobre todo o corpo civil e prejudica o desenvolvimento da nação.
Primordialmente, ainda durante a colonização, o ato de ler era algo exclusivo da elite, pois havia um medo entre a burguesia que a população, encorajada pelas ideias dos revolucionários franceses, criasse um sentimento de rebelião. Afinal, a leitura torna-se um objeto de reflexão, pois o ser humano adquire uma capacidade de questionar as coisas ao seu redor, modificando sua forma de ver o mundo atual e contestar atitudes que prejudicam a sociedade.
Ademais, durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, pouco foi o investimento em educação básica, visto que, com discursos semelhantes de investimento na industrialização, era mais oportuno o ênfase na educação superior, com o objetivo de ter, de forma imediata, bons profissionais ― indo de forma totalmente contrária aos Tigres Asiáticos, por exemplo, que nos avanços da educação básica os permitiu altos niveis de alfabetização e habilidades cognitivas, o que aumentaria a produtividade em longo prazo.
Por conseguinte, a leitura, em si, nunca foi uma prática popularizada como forma de passatempo, mas sim de obrigação. É comum adolescentes que se sentem frustrados por lerem livros obrigatórios de vestibular (e acham importantes obras da literatura brasileira inúteis), pois não foram efetivamente introduzidos, ainda na infância, nesse universo. Além disso, é notório os impactos da falta desse hábito: uma nação alienada e com altas taxas de analfabetismo funcional, inibindo, ainda, a criatividade e a capacidade de argumentação dos cidadãos.
Em suma, ainda são muitos os obstáculos do corpo social pela rotina de leitura, uma vez que não foi uma atividade dada importância durante todo o contexto histórico brasileiro. Dessa forma, é preciso que o incentivo ocorra ainda em casa, durante os primeiros anos de vida; a própria família tem o dever de influenciar as crianças e, assim, despertar o encantamento pelos livros, criando um hábito de leitura em conjunto. Além disso, o Estado deve assegurar recurso para essa atividade, deste modo, ocorre a necessidade de bibliotecas públicas por todo o território, com livros para interessar diversos públicos-alvos. Dessarte, apenas dessa forma poderemos deixar a dificuldade da prática da leitura e escrever nossas próprias histórias, como bem disse Bill Gates.