Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/09/2021
Durante o período de perseguição dos nazistas aos intelectuais, a queima de livros em espaços públicos foi um ato marcante. Embora atualmente não exista nenhuma censura relacionada à leitura, é notável a configuração de um grave problema, em virtude ora da priorização dos interesses financeiros, ora da falta de incentivo famíliar.
Dessa forma, em primeira análise, o interesse capitalista é um desafio presente no problema. Conforme Zygmunt Bauman defende na obra modernidade líquida, o individualismo é uma das principais características da modernidade, consequentemente existe uma grande dificuldade em pensar no desejo do próximo. Sendo assim, no que diz respeito ao hábito da leitura, o alto custo é um fator que implica negativamente no acesso da sociedade aos livros, visto que não existem quantidades suficientes de bibliotecas públicas para atender todos os cidadãos se torna inviável adquirir livros da esfera privada.
Outrossim, o baixo incentivo da família para a prática de ler é um entrave no que tange ao problema. Segundo a afirmação do sociólogo Pierre Bordieu na sua Teoria do Habitus, os indivíduos são influenciados por hábitos enraizados na sociedade. Nesse viés, é perceptível que para adquirir o hábito da leitura, é necessário desde a infância entrar em contato com os livros, além de considerar que a família é a primeira camada influenciadora da sociedade. Logo, enquanto houver a lacuna famíliar de incentivo à leitura o problema permanecerá exposto.
Portanto, é evidente a necessidade de intervir na problemática. Desse modo, é dever do Ministério da educação, órgão responsável pela organização das bibliotecas públicas, ampliar o número de bibliotecas públicas distribuídas de maneira igualitária em todo o território nacional por meio da distribuição de verbas para esse fim, visando aumentar o número de praticantes da leitura e assim evitar futuras consequências que a escassez dela pode trazer.