Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 08/10/2021

Consoante ao sociólogo francês Pierre Bourdiev, cada sociedade tem ações próprias e seus indivíduos as seguem como um “habitus”, mesmo que de forma incosciente, sendo difícil modificá-las, mas não impossível. No contexto brasileiro, todavia, esse hábito de leitura é diminuto, devido ao aspecto cultural, bem como à falta de incentivo. Esse cenário, então, não só denota prejuízo à coesão social, como também fomenta a atuação mais incisiva do poder público e da sociedade civil para transformarem essa realidade.

Em uma primeira análise, a filosofia da Indústria Cultural advinda da Escola de Frankfurt explica como a prática da análise de livro é exígua em uma sociedade dinâmica. Em sua visão, o sistema capitalista produz filmes e programas de TV como ferramenta de mercadoria e como estratégia de controle social. Nessa perspectiva, os indivíduos optam pela televisão por se tratar de um meio de comunicação passivo, o qual limita as informações, não sendo necessário, por vezes, construir um senso crítico próprio da realidade. Logo, observa-se que a consolidação de aspectos culturais da modernidade reverbera no baixo índice de leitura como formador de uma visão crítica e ativa do meio social.

Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, nota-se o insuficientte estímulo a atividade interpretativa de livros. Exemplo disso são a ausência de programas pedagógicos e as bibliotecas insuficientes nas escolas, as quais refletem a negligência do Estado em estimular a leitura dos jovens brasileiros. Sob esse prisma, o pensamento do filósofo pernambucano Gilberto Freyre explana esse quadro, pois ele afirma que o ornamento da vida está na forma como um país trata suas crianças. No caso, na realidade, a União está omissa por não cumprir o papel de uma instituição estimuladora do hábito de ler dos estudantes de modo a engrenhar socialmente. Desse modo, tal desarticulação política reflete na baixa prática de leitura dos cidadãos.

Percebe-se, portanto, a importância de consolidar o “habitus” de leitura nos brasileiros conforme Pierre Bourdiev. De início, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas educacionais em âmbito nacional, estabelecer metas com os alunos para a atividade de análise de textos verbais, por meio de Olimpíadas de leitura, como o objetivo de aumentar a busca por conteúdo de livros, os quais colaborem para o desenvolvimento cognitivo e para a capacidade de debate para, assim, desconstruir, de maneira paulatina, a lógica da Indústria Cultural. Paralelo a isso, cabe às empresas privadas em parceiria com a Academia de Letras estimular a reorganização das bibliotecas das escolas públicas, mediante incentivo fiscal das empresas participantes, com o intuito de impulsionar o ato de ler e, dessa maneira, ornar a vida de acordo com o pensamento do Gilberto Freyre.