Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/10/2021
O filósofo italiano Tomás de Aquino defende que todos os indivíduos de uma sociedade democrática precisam ser tratados com a mesma importância, além de compartilhar dos direitos e deveres civis. No entanto, no Brasil, a educação, principalmente em relação à prática da leitura, se vê elitizada e concentrada apenas nos grandes centros. Desse modo, destacam-se dois aspectos fundamentais: a negligência governamental na construção de escolas em regiões afastadas dos grandes centros e a ausência de debate contra o preconceito linguístico.
Primeiramente, é indubitável a negligência governamental em relação à distribuição de escolas, tendo em vista que a maioria está localizada nos grandes centros. Segundo dados do portal G1, cerca de 70% das cidades brasileiras não possuem instituições de ensino, profissionais qualificados e materiais didáticos, o que explicita a propagação do analfabetismo penalizando grupos sociais muito pobres, na qual coexistem altas taxas de mortalidade infantil. Conquanto, evidencia-se a carência estrutural escolar e a falta de incentivo à expansão da educação básica para as regiões mais afastadas.
Outrossim, é notória dificuldade encontrada no acesso à essa forma de educação linguística, uma vez que, por ser ainda escassa nas periferias, tem a ausência de debate. Nesse sentido, o filósofo e sociólogo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, ou seja, a sociedade deve debater e ressaltar a importância da educação no combate ao preconceito linguístico para todas as classes sociais. Sendo assim, fazem-se necessárias políticas que busquem soluções dos desafios para a democratização da leitura, de forma que a ótima expectativa apresentada por Habermas seja valorizada no Brasil.
Em vista dos fatos supracitados, torna-se evidente os desafios para o crescimento do hábito de leitura no país, seja no aspecto estrutural, seja no social. Nesse prisma, cabe ao Governo Federal, em parceria público-privada, incentivar a construção de escolas por meio de um acordo de isenção fiscal progressiva relativa à distância da cidade em relação aos grandes centros urbanos, a fim de que a educação básica se expanda para todo o território brasileiro e possa chegar nas áreas mais remotas. Ademais, o Ministério da Educação deve promover amplo debate com a comunidade acadêmica acerca da importância da leitura no processo de alfabetização, independentemente da idade, gênero, religião e recursos econômicos, com a intenção de estimular conhecimento de estudantes para a formação intelectual em várias faixas etárias. Somente assim, agiremos de acordo com o Tomás de Aquino e nos aproximamos da realidade de Habermas.