Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Na série Friends, o personagem Joey somente leu 2 livros em sua vida inteira, os quais não são reconhecidos por serem de cunho intelectual. Nesse sentido, fora da esfera cinematográfica, constata-se que o costume da leitura - da maior parte da população brasileira - se apresenta em um nível tão baixo quanto da personalidade supracitada. Portanto, é possível salientar que tal condição se dá por conta das disparidades sociais estruturadas no país e dos ambientes sem estímulos.

Primeiramente, cabe ressaltar que a nova ordem mundial estabeleceu a busca incansável pela expansão da mais-valia. Sendo assim, até mesmo os livros sofreram aumento nos seus respectivos preços. À vista disso, levando em consideração a vigente desigualdade social no país, afirma-se que a questão financeira é um empecilho no acesso ao conhecimento escrito. Ademais, em contexto de pandemia, o hábito de leitura, já desproporcional entre as classes sociais, tornou-se ainda mais discrepante. Posto isso, cabe recorrer ao Merrill Singer - médico antropólogo estadunidense - e seu conceito: “sindemia”, o qual se caracteriza pela indissociabilidade entre o vírus e o panorama socioeconômico. Com fins de materializar tal tese, observa-se que sem o contato presencial dos corpos, muitas famílias tiveram a renda doméstica prejudicada, não podendo, assim, ter o luxo de comprar um livro. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de democratizar os custos da obtenção de conhecimento com o objetivo de eliminar a marginalização da parcela pobre nesse aspecto.

Outrossim, vale destacar que outro fator restritivo para a leitura no país é a falta de estímulos (tanto em casa, quanto na sala de aula). Dessa maneira, nota-se que nos dias atuais, a atividade supracitada é encarada como uma obrigação da escola, uma vez que obras - demasiadas complexas para a mente juvenil - são cobradas em provas, tirando-se a voluntariedade e entretenimento dos estudos literários. Dessarte, por conta dessa imposição, o ausência do ato de ler atinge, também, aqueles indivíduos que conseguem pagar os custos da prática. Posto isso, compete recorrer à fala do filósofo Pitágoras: “educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”. Logo, é de suma importância incentivar os estudantes no período acadêmico para não ser necessário promover o consumo de livros para os adultos.

Em virtude dos aspectos abordados, é de responsabilidade do Ministério da Educação (MEC) em conjunto com a contribuição geral, criar bibliotecas públicas nas regiões periféricas por meio de livros doados e disponibilizados gratuítamente; dessa maneira, independente da condição monetária, todos poderão ler. Além disso, incumbe ao MEC reduzir a exigência de obras aos alunos por meio da alteração da Base Nacional Curricular, abrangindo, assim, os gostos pela leitura.