Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2021
O escritor e dramaturgo Bernard Shaw ponderava sobre o fato da vida ser muito curta para a não reflexão acerca de temas realmente significativos e poucos assuntos são, hoje, mais relevantes que a questão dos desafios para a prática da leitura no Brasil, pois no contexto brasileiro hodierno não ocorre uma motivação para a leitura e há presença de déficit de aprendizagem. A partir de um análise desse cenário, percebe-se que ele está relacionado não só à falha no ensino público, como também à ineficácia do Estado na solução desse infortúnio. Destarte, é necessário verificar as razões que tornam esse problema um desafio a ser combatido. Deve-se pontuar, de início, a precariedade do ensino público como um algoz na conquista da prática da leitura. Segundo a pedagoga Vera Maria Candau o sistema de ensino está preso nos moldes do século XX, época despreocupada com a construção e formação crítica do indivíduo. Nesse viés, as aulas que são voltadas somente para introduzir diversas matérias no aluno, aliada a carência de incentivo à leitura, contribuem para um déficit nos estudantes e prejudicam o seu ingresso de forma eficiente no ensino superior. Dessa forma, é notório o erro do sistema educacional brasileiro, no qual as escolas não reforçam a enorme importância da prática da leitura dia após dia. Ademais, é irrefutável a ineficiência das autoridades na resolução desse problema, pelo fato de ele persistir no contexto atual. De acordo com o filósofo e sociólogo iluminista, John Locke, esse fato configura uma quebra do contrato social, uma vez que ao revogar o ‘‘Estado de Natureza’’, com objetivo de ser governado pelo Estado, os cidadãos esperam a amenização das mazelas sociais e a garantia dos direitos imprescindíveis à sociedade, o que não ocorre atualmente no Brasil. Nesse sentido, o contrato é diariamente quebrado no país, em razão da carência de políticas públicas eficazes para melhora do desempenho dos alunos, com a adesão da prática da leitura, devido sua importância. Logo, a resolução do impasse é prorrogada, devido à inércia estatal. Portanto, partindo do pressuposto de que o combate aos desafios da prática da leitura no Brasil é árduo, é mister que medidas sejam implementadas para solucionar essa problemática. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação a mudança na base comum curricular de ensino, através do aumento da parcela de investimentos com prioridade, inserindo matérias voltadas no incentivo de diversos estilos literários. Essas medidas serão tomadas com o fito de despertar no indivíduo, desde a sua formação, o hábito da leitura. Sendo assim, o quadro atual será sanado e, através da leitura, os indivíduos alcançarão um melhor aproveitamento estudantil e melhoria de vida.