Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Consoante Voltaire – filósofo francês, expoente do pensamento ocidental -, a leitura é uma prática que engrandece a alma do homem. Pensadores como Voltaire, já no século XVIII, eram capazes de perceber o valor que o hábito da leitura possui no enriquecimento intelectual de um indivíduo. Entretanto, embora a descoberta de tal fato remeta a séculos passados, o Brasil constitui-se atualmente de uma população cuja instigação literária mostra-se pouco explorada, cenário esse que deriva não somente de problemas no sistema educacional do país, mas também de sua conjuntura econômica.

Em primeiro plano, o sistema de ensino brasileiro mostra-se muito pouco eficaz no incentivo à prática da leitura no país. O fato é que o atual Plano Nacional de Educação (PNE), estabelecido para o decênio de 2014 a 2024, revela-se extremamente ineficiente no fomento do ímpeto literário na população brasileira. No sistema educacional do Brasil, obriga-se a leitura de livros em escolas com o fim maior de cobrá-los em provas, em vez de incentivar o hábito de leitura nos estudantes. Assim, os alunos desenvolvem, desde sua juventude, o entendimento da leitura como uma obrigação, não como um hábito que cause prazer nem catarse, o que decerto se mostra um empecilho para o fomento do hábito literário no país.

Ademais, atualmente, a conjuntura econômica do país exerce papel ímpar na compreensão do porquê de a leitura ser tão pouco praticada do país. Considerando-se a atual frágil situação da economia brasileira, marcada pela inflação que já atingiu os 10%, segundo estimativas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, e pela desvalorização da moeda no mercado internacional, é lógico estabelecer que, entre suprir as mais básicas necessidades de sobrevivência e ler, diversas famílias de classes média e baixa – que, hoje, compõem maioria no estrato social brasileiro – não se veem em condição socioeconômica relativamente estável como para despender sua breve receita em livros, evidenciando como o cenário econômico nacional afeta negativamente a prática da leitura no país.

De posse do exposto, percebe-se que o hábito de leitura no Brasil não é adepto a tantas pessoas devido a fatores que remontam tanto ao sistema escolar brasileiro, quanto à conjuntura econômica atual do país. Destarte, a fim de se promover o enriquecimento da alma da sociedade brasileira por meio da leitura, como afirmara Voltaire, faz-se mister que o Ministério da Educação, órgão indispensável à execução da educação no país, elabore um PNE que vise a tornar a leitura nas escolas uma atividade de praxe dos alunos, em vez de uma obrigação para avaliações escolares. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Economia reveja sua política monetária, a fim de que pessoas de baixa renda se vejam capazes de despender recursos no hábito da leitura.