Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/10/2021
O jornalista Gilberto Dimenstein elaborou a tese ‘‘Cidadãos de Papel’’, na qual o autor define um indivíduo que apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia devido à desinformação ou à subtração destes na esfera governamental. De maneira análoga, essa definição pode ser empregada em diversos contextos brasileiros, como os desafios para a prática da leitura no país, embora o direito à leitura seja assegurado pela Constituição Federal de 1988, norma maior em vigor. Diante disso, torna-se necessária a efetivação desse direito por meio da inclusão daqueles que não o acessam, tanto por carência financeira, quanto por possuírem alguma deficiência.
Primeiramente, vale ressaltar que a questão financeira apresenta-se como um grande empecilho para o gozo da leitura por certa parcela da população. A esse respeito, o pensador Thomas Hobbes, em seu livro ‘‘Leviatã’’, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. Todavia, na atualidade, a máxima do autor vai de encontro ao cenário vigente, uma vez que o Poder Público não direciona um olhar a ações que poderiam resolver a limitação de grupos mais vulneráveis - como a continuação do benefício Vale-Cultura, suspenso em 2016 - haja vista que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Receita Federal, cerca de 71% da população não dispõem de recursos financeiros para a compra de livros e revistas.
Outrossim, ainda existem ‘‘Cidadãos de Papel’’ que não praticam o hábito da leitura por possuírem algum impedimento físico ou mental. Nesse sentido, a problemática recebeu uma nova intervenção com a recente determinação governamental que exige a criação de livros adaptados para deficientes visuais e/ou auditivos e à autistas. Entretanto, com tal medida determinada, é imprescindível destacar que ela se encontra como uma solução morosa, uma vez que ainda é possível observar a escassez de obras adequadas a àqueles que possuem alguma incapacidade. Logo, é necessário que medidas sejam elaboradas para reverter esse triste quadro, a qual sociedade brasileira se encontra.
Depreende-se, portanto, a relevância dos desafios para a prática da leitura no Brasil. Para isso, é oportuno que o Ministério da Educação, órgão responsável pela manutenção de políticas educacionais, crie, por meio do Pib Nacional, um ‘’ Vale-Livro’’. Tal vale será disponibilizado aos que requisitarem em comprovarem renda igual ou inferior a dois salários mínimos e servirá para garantir ao usuário desconto na compra de até três livros por mês. Ademais, é válido a criação de campanhas publicitárias, através de emissoras de rádio e televisão, acerca da inclusão de deficientes ao mundo literário. Somente assim, tornar-se-á possível a execução do direito à leitura, bem como a sociedade não seja denominada como ‘’ Cidadãos de Papel’’.