Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

" A leitura engrandece a alma". Tal citação do pensador iluminista Voltaire demonstra a importância do ato de ler na formação individual. Nota-se, apesar da relevância desse costume para o desenvolvimento intelectual, a carência da prática da leitura na contemporaneidade brasileira, devido, não só, aos elevados preços de livros, mas também à falta de incentivo nas escolas. Desse modo, é necessário compreender o entrave para resolvê-lo e aumentar a quantidade de leitores no país.

Vale destacar, a princípio, o alto valor comercial de livros como desafio para incentivar a leitura. Nessa lógica, a literatura brasileira, principalmente durante o Romantismo, era acessível apenas à camada mais abastada da sociedade, já que eram produzidas poucas cópias e com custo elevado. Observa-se, nesse sentido, a permanência da desigualdade de acesso a obras, ao passo que a população carente não possui recursos para obtê-las, desestimulando o cultivo desse hábito tão importante para a contrução de opniões. Além disso, essa situação precária pode ser agravada com a aprovação da reforma tributária do governo Bolsonaro, que prevê a cobrança de impostos aos livros, elitizando cada vez mais o alcance à cultura. Dessa maneira, é urgente o investimento estatal no setor para minorar os preços e expandir o acesso à educação e à informação.

Convém ressaltar, ainda, a ausência de incentivo ao ato de ler nas instituições educacionais. Nessa perspectiva, na série televisiva “Ginny e Georgia”, o professor de literatura de Ginny prioriza as notas  de provas em detrimento do incentivo à leitura para outros fins. Sob esse viés, o comportamento retratado na série é uma realidade no Brasil, no qual os professores impõem a leitura de livros, geralmente desinteressantes à camada jovem, que constarão em provas, ou seja, os alunos são ensinados a ler apenas para obter notas boas, e não pelo prazer. Nesse contexto, as crianças formam uma relação de obrigatoriedade com os livros e não se interessam em explorá-los no tempo livre, preferindo o uso de celulares e televisões. Logo, a falta de leitura é notada, porque os jovens desenvolvem menor capacidade de interpretação, criatividade e senso crítico, e tornam -se dependentes da tecnologia, fazendo-se imprescindível o correto estímulo a essa prática em escolas.

Fica claro, portanto, a importância de magnificar a leitura no Brasil. Cabe, nesse viés, à Secretaria Especial da Cultura, unida ao Ministério da Economia, diminuir o preço dos livros, por meio de investimentos no setor, que beneficiarão as editoras ao minorar os impostos cobrados pelo governo federal, barateando a produção, a fim de torná-los acessíveis a todas as classes. Outrossim, é função das escolas, em união às famílias, incentivar as crianças a ler, por meio de feiras e apresentações de livros. Assim, será possível ampliar a educação dos jovens e engrandecer suas almas, confome Voltaire.