Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2021
A obra literária Fahrenheit 451 apresenta ,de forma fictícia, uma realidade em que livros são incendiados como manobra do estado para alienar e controlar as pessoas de uma civilização. Fora da distopia, observa-se, no Brasil hodierno, que a prática da leitura é fundamental para a construção do senso crítico nos indivíduos, bem como entendimento da realidade que os cerca. Portanto, analisar os alicerces que impedem a democratização da leitura no Brasil, sobretudo a falta de espaços que promovam o hábito de ler e à baixa qualidade do ensino sobre literatura, a fim de tornar a nação mais desenvolvida.
Em primeira análise, é válido abordar que a ausência de espaços públicos capazes de fomentar a atividade de leitura na população compromete a formação de uma sociedade leitora e intelectual. Referente a isso, o importante poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade afirma “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede” salientando como o hábito de leitura não é valorizado na realidade brasiliense. Sob essa óptica, é notório que sem a ampla disponibilização de ambientes capazes de fornecer livros para vários indivíduos, a democratização dessa atividade é comprometida. Portanto, a construção e desenvolvimento de projetos públicos capazes de incentivar a prática de ler livros no Brasil é fulcral.
Ademais, é importante citar que o baixo nível de ensino sobre a literatura no Brasil é responsável por desmotivar a realização de hábitos de leitura no meio social. Nessa lógica, o filósofo espanhol Sêneca salienta que os indivíduos não estudam para a vida e sim para avaliações de instituições escolares. Em consonância a esse pensamento, percebe-se, na atualidade, que as instituições escolares prezam mais a instrução de informações conteudistas, em sobreposição a ensinamentos construtivos, os quais são importantes para o desenvolvimento intelectual de jovens e crianças. Dessa forma, os estudantes são desestimulados a realizarem atividades literárias nas escolas, pois são obrigados a aprendê-lo de forma não prazerosa.
Assim, analisados os entraves supracitados, medidas imperativas capazes de reverté-los urgem. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação promover a construção de projetos educacionais voltados à manifestação de saberes literários a fim de incentivar a prática da leitura em jovens e crianças. Tal ação será realizada por meio da criação de espaços públicos que irão disponibilizar um elevado contigente de livros e obras para a população em diversas regiões. Portanto, com a realização dessa atividade, ter-se-á uma nação mais democrática em relação à prática da leitura.