Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Em 1940, o escritor Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguições nazistas que sofria na Europa. Nesse contexto, o austríaco foi bem recebido em terras brasileiras e, impressionado com o potencial do país que viria a ser seu novo lar, escreveu um livro cujo título ainda é permeado na contemporaneidade: “Brasil, país do futuro”. No entanto, ao analisar a questão da precariedade da leitura no país, não se percebe o ideal descrito na obra, uma vez que a prática possui inúmeras barreiras, como a grande taxa de analfabetos no Brasil e a inacessibilidade de livros para a população mais vulnerável. Portanto. é necessário analisar os desafios e as consequências da problemática.

Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos na mudança do cenário de analfabetismo presente na vida de mais de 11 milhões de brasileiros deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coibam tais recorrências. Sob a perspectiva de John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa de atuação das autoridades, várias pessoas analfabetas continuam sem auxílio, sem acesso à leitura e, consequentemente, sem acesso à informação.  Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa conjuntura.

Além disso, a inacessibilidade dos livros para grande parte da população, que tem origem nos preços abusivos e nas altas taxas cobradas por editoras, apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com Voltaire, a leitura engrandece a alma. Apesar da afirmação do filósofo, pode-se perceber que tal conceito não se aplica no Brasil, haja vista que a dificuldade para comprar livros novos e que sejam aptos aos costumes de leitura de uma população que teve pouco contato com obras literárias por vontade própria continua fomentando a problemática da falta de leitura no país e contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério que precisa ser revertido.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves que impedem o aumento da prática da leitura. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orcamentárias, ampliar a alfabetizaçao e rever preços e taxas de livros, através de programas especializados em educação e economia, com o objetivo de incentivar cada vez mais o hábito de leitura no país. Dessa forma, pode-se concretizar o ideal de Brasil de Stefan Zweig na sociedade brasileira.