Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

De acordo com Platão, filósofo grego, em sua obra “A República”, os indivíduos deveriam viver com sabedoria, o que permitiria a contemplação da necessidade de todos. Analisando a obra e relacionando–a à atual realidade do Brasil, percebe-se que a dificuldade em lidar com os hábitos de leitura tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, já que situações deliberadas e imorais têm acometido a integridade de milhares de indivíduos. Sob esta perspectiva, nota-se que as questões culturais e a ineficiência das políticas educativas são pontos que valem ser destacados.

A princípio, é preciso salientar que os problemas relacionados às práticas de leitura refletem os costumes estabelecidos pela população em um certo período histórico. Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, relatou que os indivíduos se relacionam de acordo com uma cultura local. Nesse viés, a expansão dos aparatos tecnológicos, sendo intensificada no século passado, tem trazido novos paradigmas que revolucionaram as relações interpessoais e as premissas educativas, já que o imediatismo e a liquidez da sociedade alteraram as perspectivas de leitura e de coletividade. Essa situação é exemplificada pela abundância de aplicativos virtuais, como o “Facebook”, e de aparelhos celulares, os quais desenvolveram costumes de leituras e de relacionamentos bastante superficiais devido à grande quantidade de informações nesses meios. Logo, percebe-se a existência de um quadro de caos social que precisa ser combatido.

Outrossim, a falta de políticas socioeducativas voltadas para a educação básica justifica as dificuldades relacionadas aos hábitos de leitura no país. Conforme Pierre Bourdieu, filósofo francês, isso ocorre porque os preconceitos e os contextos sociais estão associados com a manutenção de certos valores na sociedade. Nessa ótica, a ausência de bibliotecas públicas e escolares em várias cidades e a carência de incentivo educacional, como atividades didáticas e certificados pelos livros lidos, por exemplo, impedem a efetividade da leitura no território nacional. Não é de se estranhar, portanto, que, além do impeditivo cultural existente sobre os órgãos públicos, a inexistência da matéria de Literatura no Ensino Médio seja um grande dificultador para o desenvolvimento da leitura, segundo o site G1.

Depreende-se, deste modo, que os desafios das práticas de leitura são empecilhos que precisam ser minimizados. Dito isso, as Escolas, agentes promotoras do ensino socioeducativo, devem realizar palestras e mostras científicas abertas para a sociedade, as quais tenham o intuito, por meio de vídeos demonstrativos e teatros realizados por professores, de esclarecer sobre a influência dos aparelhos tecnológicos na leitura eficaz. Ademais, o Estado, por intermédio de leis e de incentivos econômicos, deve construir bibliotecas públicas, a fim de incentivar a leitura pelos cidadãos.