Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

A obra “A Menina Que Roubava Livros”, ao retratar o contexto sociopolítico da Alemanha nazista, narra a vida de Lissel, uma jovem de Munique que tinha o constante hábito da leitura como amparo para a conjuntura impetuosa a que estava inserida. Entretanto, essa cultura dos livros, cultuada por Lissel, mostra-se debilitada no Brasil hodierno, seja pela ausência premeditada de incentivo às massas, seja pela educação literária inerte no país. Dessa maneira, mostra-se necessária a reversão dessa realidade de inópia dos livros no coletivo do território nacional.

É lícito postular, mormente, que a latente premência estatal quanto ao estímulo a leitura age como óbice à consolidação da pratica literária. Consoante a isso, é imprescindível ressaltar o autor George Orwell, o qual, na obra “1984”, em uma análise do livre-arbítrio ilusório do corpo social, afirma que a ignorância política da sociedade corrobora para a perpetuação de seu domínio, indicando a necessidade desse embasamento para a elucidação individual. Sob essa óptica, por facilitar o domínio sociopolítico, não há o devido incentivo à cultura das literaturas no corpo social, isto é, preza-se pela ausência de senso-crítico da comunidade nacional como vias para o controle de sua mentalidade e, por conseguinte, limitando a propagação desse costume às parcelas abastadas. Portanto, a conjuntura pública brasileira, explicitada por Orwell, impede a consolidação desse hábito.

Outrossim, é imperioso ressaltar que a educação literária inerte corrobora para a desvalidação do consumo de livros no país contemporâneo. Nessa seara, mostra-se necessário referenciar o matemático Einstein, o qual afirma que a única certeza que se pode possuir é a da singularidade do indivíduo, ratificando a importância da análise distinta das necessidades dos discentes. Esse axioma ainda mostra-se invalidado nas instituições escolares nacionais, uma vez que o ensino relativo às artes escritas mostra-se imutável, isto é, os alunos não possuem suas particularidades respeitadas, e, como consequência, por terem acesso às mesmas obras que não as despertam curiosidade, não cultivam o devido interesse pela literatura. Logo, a consolidação dessa prática é atrelada a uma educação mutável.

Destarte, depreende-se que as raízes políticas educacionais corroboram para a banalização da leitura no país. Assim, compete ao Ministério da Educação, juntamente com as instituições escolares público-privadas - responsáveis pela transmissão de ideais aos jovens - incentivá-los, por meio de bibliotecas virtuais repletas de obras de escolas literárias abrangentes, a praticar o ato da leitura voltada ao desenvolvimento do senso-crítico, a fim de, em médio e longo prazo, garantir o devido embasamento do corpo social por interesse próprio no consumo literário. Desse modo, garantir-se-á que a paixão de Lissel pelos livros seja recuperada no Brasil hodierno.