Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

“A leitura traz ao homem plenitude; o discurso, segurança; e a escrita, precisão”. Tal máxima do filósofo inglês Francis Bacon reflete a importância da leitura na formação do indivíduo. Ademais, embora essencial, a prática da leitura no Brasil hodierno é negligenciada por grande parcela da população. Nesse sentindo, vale destacar a velocidade e liquidez da pós-modernidade, assim como o ineficaz sistema educacional como fatores preponderantes na perpetuação da problemática.

Em primeira análise, é evidente a grande velocidade de consumo de informações na contemporaneidade como entrave na prática literária. Nesse contexto, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é marcada pelo imediatismo e liquidez, isto é, constante mudança. Dessa forma, com o advento da tecnlogia e das mídias sociais, a leitura de livros — atividade que demanda tempo e constância —  é negligenciada e substituída por leituras rápidas e superficiais decorrentes, entre outros fatores, da disponiblidade de diversos conteúdos, entretanto, abordados de maneira rasa. Assim, infere-se que a mudança de paradigma na conjuntura atual, marcada pela instantaneidade, é fundamental no combate à tal mazela.

Outrossim, vale ressaltar a infeficácia do sistema educacional como elemento perpetuador de tal problemática. Sob esse viés, a abordagem dos livros na escola — tratados como objetos a serem memorizados para uma prova, ao invés de fontes de conhecimento —, bem como a falta de políticas públicas tendo em vista o incentivo à prática da literacia resultam em indivíduos desistimulados e com grandes dificuldades cognitivas nos processos de leitura e interpretação. Nessa perspectiva, segundo Thomas Hobbes, filósofo inglês, é dever do Estado garantir o bem-estar social. No entanto, ainda que garantidas por lei, segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, apenas 31% das escolas da rede pública possuem bibliotecas (principal meio de acesso à materiais literários). Desse modo,  contrariando a lógica de Hobbes, o descaso estatal dificulta a resolução de tal entrave.

Urge, portanto, que o hábito da leitura seja incentivado no Brasil. Para tanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, a discussão e estímulo à leitura, por meio de campanhas acerca dos benefícios do hábito literário e como o desenvolver na pós-modernidade líquida, a fim de assegurar o desenvolvimento pleno do indíviduo. Além disso, é mister o Estado promover o acesso aos livros, através da construção de bibliotecas públicas modernas, com o objetivo de democratizar a obtenção de obras literárias para que, somente assim, a importância da leitura refletida por Bacon seja concretizada.