Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2021

A kantiana máxima “o homem é aquilo que a educação faz dele”, revela entre muitas questões da teorização sobre a busca do conhecimento, o sentido de valorizar e estimular práticas para o encontro da sapiência. Nessa perspectiva, é possível inferir que a sociedade brasileira ainda enfrenta desafios no que tange ao desenvolvimento e prática da leitura. Diante desse aspecto, é fato que a ausência de estímulo à leitura associada à alienação e negligência governamental sobre sistemas educacionais, apresentam-se como notáveis ​​para o desfalque de camadas leitoras no Brasil. Dessa maneira, faz-se necessário o debate acerca dos impasses que impossiblitam o avanço da leitura no contexto brasileiro.

Precipuamente, é importante destacar que as instituições primárias de estímulo à leitura, como escolas e famílias, ainda pecam na formação de leitores ativos. Nesse sentido, para o alcance do desenvolvimento cognitivo e interesse em conteúdos literários, urge a necessidade de apresentar desde a infância, histórias e textos que convidem ao interesse da prática ler. De modo semelhante, o filme “Um faz de conta que acontece”, estrelado por Adam Sandler, revela como contar e estimular crianças a criar histórias com o uso de livros, pode ser uma ação de muito valor nas relações sociais e formação de pessoas interessadas no âmbito literário. Assim, é indispensável que ações de estímulo sejam inseridas para alcançar a democratização da prática da leitura.

Outrossim, é válido ressaltar a demarcada negligência governamental no que tange os meios educacionais e incentivadores da cultura. Sob esse prisma, é pertinente inferir que a ascensão intelectual de camadas menos abastadas é um grande risco, pois aqueles pensam e sustentam análises, tornam-se ameaças para o equilíbrio de políticas ditadoras e baseadas no detrimento do bem-estar social. Sob essa ótica, Voltaire, célebre filósofo francês, defendeu que “A cultura é uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo escravo.” Nesse sentido, é evidente que a prática da leitura seria um desafio para políticas ​​defasadas e corruptas, portanto, uma conjuntura não digna de ser defendida em reformas socioeducacionais. Dessarte, é pertinente ampliar a questão de reformas políticas e educacionais para a formação de democracias intelectualizadas e justas.

Mediante ao exposto, o Ministério da Educação, principal órgão dos meios educacionais do Brasil, deve viabilizar, por meio de ações e parceria com as instituições familiares, oficinas e centros de aprendizagem, estímulo e valorização da linguagem e leitura voluntária. Além disso, o Ministério da Economia deve liberar verbas para a compra de livros e financiamento de planos educacionais de leitura ativa, buscando assim estimular o ato de ler. Logo, com a adoção das medidas citadas, será possível viabilizar a formação Brasil leitor e coeso com a realidade kantiana.