Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2021
“A menina que roubava livros” retrata o drama de uma jovem ávida para consumir literatura na Alemanha nazista, onde a mesma era publicamente queimada e destruída. No Brasil contemporâneo, a despeito da inexistência de censura contra qualquer tipo de leitura, essa prática é preocupantemente minoritária, em função principalmente da inacessibilidade tanto econômica quanto intelectual vivida por grande parte da população em relação à mesma. Para alterar esse paradigma, é necessário que os órgãos governamentais e sociais competentes tomem medidas para democratizar o acesso à leitura.
Em primeiro lugar, é imprescindível destacar como o alto preço do material literário no Brasil torna o seu consumo altamente elitizado. Benjamin Franklin, um dos pais fundadores dos Estados Unidos da América, disse que “investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”. No Brasil, entretanto, se torna impossível para a grande parte da população o acesso a livros sem que esta se utilize de métodos ilícitos para tal, situação agravada pelo decrépito estado de muitas das bibliotecas públicas nacionais. A barreira financeira torna, dessa maneira, a leitura regular um hábito restrito a poucos.
Em segundo plano, é pertinente ressaltar como a deficiente formação intelectual da maioria da população dificulta a expansão do hábito da leitura no país. Em “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata no personagem Fabiano, que mal sabe escrever o próprio nome, uma realidade vivida tanto literal quanto simbolicamente por milhares de brasileiros. Muitos deles, embora desfrutem das faculdades da leitura e da escrita, não praticam o consumo de obras literárias em virtude de um analfabetismo funcional e dificuldade de interpretação de texto, o que impossibilita uma leitura mais profunda, crítica e proveitosa. A deficitária bagagem cultural do povo afasta, assim, tal prática de sua predileção.
Finalmente, em vista do exposto, nota-se que o Estado deve tomar as medidas cabíveis para tornar o hábito da leitura financeira e intelectualmente acessível a todos. O Ministério da Educação, juntamente com a Secretaria Geral da Cultura, devem promover ações de distribuição de livros em escolas públicas, com posterior discussão acerca do material. Seria ideal que os alunos pudessem escolher títulos que os interessassem dentro de um catálogo previamente revisado e aprovado, como algumas obras de literatura infantojuvenil contemporâneas, por exemplo. Dessa maneira, o Brasil estaria um passo mais perto de se tornar um país de leitores.