Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 04/11/2021
‘‘A arte existe porque a vida não basta’’ disse Ferreira Gullar. No contexto de pandemia, a expressão artística proporcionou alívio para aqueles que estavam aflitos pela incertezas que surgiram. Quando se analisa o hábito de leitura no Brasil, contudo, percebe-se contínuas reduções no número de leitores. No caso dos estudante, os obstáculos para a leitura fundamentam-se na falta de estímulo e no caráter impositivo associado a essa prática.
Em primeiro lugar, precisa-se compreender a situação dos alunos de Ensino Fundamental. No período medieval, os contos de fada serviam como forma de educação moral das crianças. Já na atualidade, esse gênero é utilizado, em muitos casos, pelos pais para estimular a literacia das crianças em processo de alfabetização. No entanto, com o passar do tempo, os pais reduzem os estímulos à prática da leitura por não compreenderem a importância tanto da leitura, quanto da motivação necessária. Nesse sentido, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostra contração do número de leitores maiores de 10 anos. As crianças, então, estão abandonando os livros gradualmente a partir que crescem.
Além disso, é necessário entender porque estudantes do Ensino Médio possuem problemas com a leitura. Segundo Paulo Freire, o sistema de ensino brasileiro coloca o aluno em um posição passiva, ou seja, a criatividade e as opiniões do jovem não são tomadas em consideração. A leitura, nesse contexto, é imposta e, muitas vezes, abordam temáticas distantes do cenário da juventude contemporânea. Como resultado, o estudante vê apenas o caráter obrigatório da leitura e somente lê para conseguir a nota necessária em um exame. Por conseguinte, os benefícios da pratica da leitura não são desfrutados e essa fica cada vez mais negligenciada.
Fica evidente, portanto, que a prática da leitura encontra desafios na falta de estímulo dos pais e no posicionamento impositivo das escolas. Para mudar essa situação, as Secretarias de Educação, em parceria com o Terceiro Setor, podem promover campanhas de conscientização da importância da leitura pelos pais a partir de cartilhas que evidenciam os ganhos da leitura e como motivá-la. Ademais, o Ministério da Educação, em conjunto com especialista em educação de jovens, deve encorajar os professores a oferecerem livros que comuniquem com a atualidade, a ajudarem o aluno a compreender os clássicos da literatura e a promoverem debates acerca dos livros estudados a fim de criar o interesse o protagonismo do jovem na prática da leitura.