Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 20/10/2021

No filme “A menina que roubava livros”, relata a história da personagem Lisiel e mostra como a sua vida é transformada desde o momento que inicia suas leituras. Fora da ficção, vê-se que esse hábito não é valorizado, visto que a promoção da leitura entre os jovens na sociedade brasileira não ocorre constantemente, problema que acontece em virtude da negligência familiar e do descaso estatal.

Primordialmente, é relevante destacar que a lacuna da principal instituição educacional, a família, contribui para que o tema encontre desafios. Segundo o filósofo John Locke em sua tese da “tábula rasa”, as pessoas nascem sem conhecimento algum, igual a uma página em branco e, no decorrer do tempo adquirem ensinamentos através das experiências e influências. Nessa perspectiva, nota-se que essa assertiva é evidenciada na questão da leitura, uma vez que esse ato é importante para o desenvolvimento do indivíduo, porém, não há o incentivo desde a infância na maioria dos ambientes familiares, óbice que proporciona interrupções na formação do jovem, visto que crianças que não têm a prática de ler geram possivelmente jovens sem interesse pela leitura. Dessa forma, é notório que essa mazela funciona como uma falha na construção da “folha de papel em branco” descrita por Locke, haja vista que o costume de versar livros é baixo.

Outrossim, é interessante ressaltar que a inoperância do Estado favorece para que o assunto continue a encontrar obstáculos. Isso ocorre porque não há o investimento necessário no âmbito educacional, em razão, substancialmente dos desvios de verbas destinadas à área da educação, o que impossibilita a prática à leitura, pois devido a essa omissão estatal, os cidadãos não possuem livros para exercer o hábito de ler, impasse que é mostrado na questão das bibliotecas, as quais não estão presentes na maioria das escolas, principalmente as públicas, situação que contraria a lei 12.244, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas redes de ensino do país. Destarte, tal ausência torna a promoção da leitura cada vez mais escassa, o que proporciona atraso intelectual, critico e cultural do jovem.

Infere-se, portanto, que medidas são essenciais para solucionar as problemáticas supracitadas. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério da Educação, desenvolva debates acerca do tema, por meio de palestras com a participação do corpo pedagógico e, especialmente das famílias, a fim de explicar os benefícios da leitura para o desenvolvimento dos indivíduos, com o fito de que os jovens sejam influenciados a possuir o hábito de ler e, assim, preencher a tábula rasa de forma positiva. Ademais, faz-se necessário que o Poder Executivo – órgão de alta importância para o país – faça verificações nas verbas destinadas à educação, através de fiscalizações, com o intuito de que todas as escolas possuam bibliotecas, desse modo o acesso aos livros seja favorecido e  a legislação seja cumprida.