Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 22/10/2021

O livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, retrata uma distopia que se passa na República de Gilead, em que, marcada por um regime autoritarista teocrático, controlava as mulheres, que eram proibidas de ler. Logo, nota-se a importância da leitura para a autonomia e desenvolvimento pessoal. Entretanto, hodiernamente, o consumo de livros tem sido negligenciado na vida da população brasileira. Isso deve-se à falta de incentivo familiar somada ao alto valor das obras literárias.

A priori, é importante ressaltar o baixo estímulo à leitura. A família é uma das principais formadoras dos indivíduos que compõem a sociedade, logo, sabe-se que hábitos como esse são fornecidos pelos pais e responsáveis, com início ainda na infância. Todavia, segundo Platão, “o que não se tem ou não se sabe, também a outro não se pode dar ou ensinar”, desse modo, a instrução acerca do consumo de livros , muitas vezes, não pode ser transmitida pois é algo que também não está presente na vida dos genitores, pois não foi perpetuado pelas gerações. A par desse raciocínio, é evidente a necessidade do incentivo à leitura aos responsáveis, que por sua vez estimularão as crianças, de modo a quebrar esse padrão, evitando que esse impasse torne-se uma ocorrência natural.

Outrossim, o alto custo das obras fomenta a problemática. De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente metade dos brasileiros vivem com menos de quinze reais por dia, dessa forma, com uma grande parcela da população vivendo com dinheiro insuficiente para nem sequer suprir necessidades básicas como alimentação, a posse de livros é inviável. Ademais, impostos sobre esses produtos têm aumentado, o que não favorece a disseminação da prática de ler. Portanto, com o elevado preço do item somado ao baixo e escasso salário da população, a compra de exemplares não é possível. Sendo assim, urge a demanda de apoio governamental, por meio de auxílio financeiro à pessoas de baixa renda, pois caso contrário, o problema permanecerá.

Nesse viés, faz-se necessário que o Governo Federal , como instância máxima de administração executiva, atue em favor do povo, por meio da promoção de palestras em instituições públicas, que serão compartilhadas em lives pelas redes sociais governamentais, acerca dos problemas gerados pela falta de leitura, a fim de auxiliar as famílias no desenvolvimento do hábito. Além disso, o Governo Federal também é responsável por fornecer ajuda financeira a indivíduos que não possuem condições, de modo a incitar a prática da ler a todos e promover o contrário do visto na ficção em “O Conto da Aia”.