Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 26/10/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos o direito à educação, sendo responsabilidade do Estado que sejam tomadas medidas que viabilizem essa garantia. Todavia, a educação sofre um grande impasse, pois, no que tange à leitura no País, os desafios são exorbitantes, visto que ela não se configura uma prática. Tal fato é propiciado, ora pela visão que está associada ao ato de ler no ensino educacional, ora pela desvalorização com raízes históricas.

Em verdade, desde a infância, a leitura se resume aos exames educativos que posteriormente serão realizados, não sendo, na maioria das vezes, vinculada ao prazer e ao bem-estar. Sob esse viés, em  “Anne With an E”, série canadense, é retratado o papel que os livros tem na vida da protagonista, vítima de maus tratos e de abandonos, ajudando-a, tanto emocionalmente, quanto academicamente, uma vez que apresenta vocabulário e linguagem mais adequada a norma culta que as demais crianças da sua idade. Dessa forma, fora da ficção, esse pressuposto também se afirma, dado que ler auxilia no desenvolvimento da comunicação e da escrita. Contudo, o ensino brasileiro apresenta os livros aos estudantes como obrigações escolares e estipulam quais devem ser lidos, geralmente, os clássicos da literatura brasileira, cerceando a curiosidade e os ligando a provas e a vestibulares. Assim, forma-se a ideia que ler não é lazer, diminuindo os adeptos dessa prática.

Outrossim, a leitura não é vista com preciosismo, ao contrário, é renegada e, mesmo na atualidade, tida como hábito de estudiosos e de intelectuais. Nessa perspectiva, a ideia anteriormente citada possui origem no Período Colonial, já que os livros e a ação de ler eram direitos reservados à elite e à nobreza, cabendo aos demais a função de trabalhar. Dessa maneira, ainda que de forma velada, o pensamento persiste na sociedade e é fortalecido pelos poderosos, que não desejam ter em seus funcionários seres críticos e pensantes, característica que é fomentada em praticantes da leitura. Logo, é formada uma população em que grande parte não ler e, portanto, é facilmente manipulada.

Destarte, com intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo, agente na formação de recursos, estabeleça uma reformulação no ensino, incitando a literacia, seja na escola, seja no seio familiar, por meio de subsídios tributários investidos em bibliotecas nas instituições educativas, para que possuam diversidade em livros, além dos clássicos da literatura brasileira, a fim de que as crianças e os jovens vejam nos livros não só uma obrigação, mas também uma forma de lazer. Ademais, é impreterível que o Estado expanda as campanhas de estimulo à leitura, em parceria com digitais influencers, com o fito de desmistificar a ideia de que a ação de ler livros não é para todos.