Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 26/10/2021
De acordo com a Constituição Federal do Brasil, é dever da União, dos Estados e Municípios proporcionar à população os benefícios oriundos da educação básica. Entretanto, isso não ocorre de modo desejável na prática, pois ainda há várias crianças que não são alfabetizadas. Nesse sentido, a falta de leitura nas crianças evidencia a inobservância de ações governamentais e sociais as quais têm causado graves intempéries na contemporaneidade.
Precipuamente, pode-se afirmar que a negligência governamental corrobora esse cenário degradante. De acordo com o filósofo J.J.Rousseau, na sua teoria do “Contrato Social”, o Estado deve garantir o bem-estar de todos sem distinção. Contudo, verifica-se que tal pensamento não se aplica à realidade brasileira eficazmente, uma vez que boa parte da população é analfabeta. Tal fato é comprovado pela pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no qual afirma que onze milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever. Dessa forma, o acesso à educação é bastante negligenciado no Brasil, mesmo sendo um direito fundamental de grande impacto para o desenvolvimento social e econômico.
Ademais, a inércia social contribui para que os desafios para prática da leitura seja uma danosa realidade. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, a “Modernidade Líquida” desconstrói sentimentos como consideração e empatia: fatores cruciais para a harmonia entre as pessoas. Essa afirmação de Bauman confirma o individualismo humano, uma vez que muitas famílias não estimulam seus filhos o hábito da leitura, ocasionando prejuízos no pensamento crítico e dificuldade em interpretação desses indivíduos. Assim, se a liquidez -duramente criticada por Bauman- não ceder lugar para o fortalecimento da empatia, muitas crianças se tornarão alienadas.
Urge, pois, que a educação seja regra em nosso país. Nesse sentido, o Poder Público -importante órgão garantidor dos direitos do cidadão- deve investir mais na infraestrutura das escolas e realizar palestras disseminadas pelas mídias sociais e digitais, através de jovens alfabetizados, com o fito de incentivar a prática da leitura. Essa ação também contribuirá para que o corpo social desenvolva uma postura mais solidária nessa discussão, no qual o papel de educar e ensinar seja uma parceria entre os pais e a escola.